Medo do escuro & gatos no telhado

gatinhosdourados

Encarava o mundo aos olhos da minha janela. Olhava para a direita e via o sol fugindo as montanhas. A natureza lentamente ficava dominada pela escuridão. As belas mansões no topo das montanhas começava á acender suas luzes brancas, temendo a escuridão inevitável da noite. Eu não acendi minha luz, permiti que meu mundo fosse dominado pela escuridão.

Era tudo um campo aberto para a batalha. Eu não tinha medo do escuro. Não tinha medo de monstros debaixo da cama e nem que demônios respirassem grudados ás minhas costas. Não tinha medo de fantasmas. Apenas olhava o mundo. O céu tinha ficado cinza e eu compreendia o que ele tinha á dizer: Aqueles que temiam a noite, se esconderiam. Era uma espécie de sinal para os covardes.

E então eu me deparei com um pequeno gatinho. Meu prédio fica no quarto andar e o gatinho movimentava-se rapidamente pelos telhados das casas que ficavam abaixo de mim. Estava ele procurando um lugar para fugir da escuridão quando ela tomasse toda a cidade? Ele buscava a luz ou simplesmente algum lugar que lhe aquecesse?

Não o vi de perto, mas parecia ser um gatinho de pelos dourados. Ele parou em um dos telhados e olhou diretamente para mim. Queria saber o que se passava na cabeça dele e ele provavelmente queria saber o que se passava na minha. Aquilo durou alguns longos segundos. E então ele continuou a sua corrida pelos telhados.

Ele parou em uma varanda e o dono da casa o espantou, batendo palmas e dizendo: “Eu vou soltar os cachorros, eu vou soltar os cachorros”. O gato não parecia temer o homem, ele simplesmente continuou se movimentando na mesma velocidade, partindo para o próximo telhado. O homem parecia ter medo do gato.

-“Nunca mais volte”. – disse o homem, continuando a bater palmas.

Num piscar de olhos, o dia tinha se transformado completamente em noite. O gatinho pulou em um terreno baldio e correu até um ponto em que eu não conseguia mais vê-lo. Não pensei no que ele procurava e também não pensei no que eu procurava. Talvez as pessoas só sonhassem durante o dia. Talvez o gato também.

Demorei cinco ou seis minutos para fazer um café e continuei olhando. Talvez eu estivesse esperando que o gato voltasse á aparecer, como se ele tivesse algo para me ensinar.

Olhei para o céu escuro. Eu gostava da noite, tanto quanto gostava do dia. Gostava do escuro, assim como gostava do claro. Os carros iam passando cada vez mais rápidos na rua lateral. As luzes se acendiam com uma velocidade impressionante. Acendi a minha também. E então fechei meus olhos. O escuro, eu gostava dele. Acima de tudo, eu o compreendia. Era filho da noite. Quando o sol aparecesse, estaria tudo bem de novo. E então entendi o que o gatinho fazia. Ele fazia o mesmo que aquelas pessoas acendendo as luzes. Procurava um pedacinho do mundo em que pudesse dormir. 

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