A montanha que precisava de um homem

Chile

Havia um homem que morava nas montanhas. Ele não sabia exatamente aonde tinha levantado aquela simples casinha de madeira. Simplesmente esteve em algum lugar em algum belo dia de outono e começou a construí-la.

-Eu nunca vou sair daqui! – disse o homem. E ele nunca mais disse nada. E ele realmente nunca mais saiu dali.

E ali ficou o homem, no meio das montanhas. O que para alguns seria um grito de liberdade e um ato de coragem, para ele era um urro abafado de agonia e uma covardia sem precedentes. Ele ficava ali, todos os dias, alimentando os seus demônios. Passaram-se cerca de dois anos. Ele olhava o sol ir e vir, mas não via nada.

Então o homem começou a pensar: “Existe alguma coisa errada comigo”. E quando o homem pensou que havia algo errado com ele, algo realmente apareceu. Ele então pensou: “Existe algo no meu sangue”. E uma vez que o homem pensou que seu sangue estava contaminado, ele realmente ficou. O homem por fim pensou: “Há algo maligno correndo em minhas veias”. E uma vez que o homem pensou aquilo, ele permitiu que o mal corresse em suas veias.

Dizem que um homem nunca deve criar nada quando está em total estado de isolamento. Os pássaros pararam de vir cantar em sua janela, o sol perdeu um pouco da sua cor e lentamente, os sonhos do homem foram esmagados por seus próprios pensamentos. O homem então pensou: “O mundo é um lugar ruim”. E quando pensou isso, o homem transformou o mundo em um lugar ruim. E ali ficou ele por mais alguns anos, agoniado em seus pensamentos, até que a morte chegou devido á uma horrível doença no sangue que o homem nunca soube qual era.

E alguns anos mais tarde, um outro homem encontrou aquela casinha. Ele não se apavorou quando encontrou o corpo do homem. Ele enterrou o homem e não se perguntou sobre a sua história. Esse outro homem se interessava mais pela vida do que pela morte. Enterrou o homem e poucas vezes pensou á respeito do que tinha acontecido.

Então ele voltou para aquela casa e disse:

-Eu nunca vou sair daqui! – E ele nunca mais disse nada. E ele realmente nunca mais saiu dali.

E o homem passava seus dias pensando no quanto era bom estar vivo. Ele agradecia todos os dias pelas nuvens que o visitavam até mesmo quando adormecia. Logo, os passarinhos começaram á aparecer em sua janela e o sol ia tomando uma cor cada vez mais agradável, á cada dia que se passava. Ele viveu naquela casinha por muitos anos e não tinha tempo para se amargurar. Ele se sentia abençoado.

Ao invés de criar o ódio, ele criava o amor. Ao invés de criar o medo, ele criava a coragem. Ao invés de criar a doença, ele criava a saúde. Ao invés de criar a morte, o nobre homem criava a vida. E ali ele viveu.

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