Nativa

nativa

Sentado embaixo de uma grande árvore, senti algo se movendo em minhas mãos. Era um insetinho verde, bastante parecido com uma joaninha. Eu olhei para o insetinho, perplexo com a sua beleza e disse:

-Tem alguém que você precisa conhecer.

-Ora, mas você não pode me exibir por aí! – disse o insetinho.

Havia um amigo meu que me pediu para batizar ela. Não sei como aquilo aconteceu, mas era como se ela tivesse me dito seu nome. Quando ele me pediu para dar um nome para ela eu imediatamente respondi: “Nativa“. Esse era o nome da criaturinha da floresta que voava por aí clamando por liberdade.

-Pra quem você quer me mostrar? – perguntou a Nativa.

-Para uma mulher! – eu respondi

-Sempre uma mulher, não é mesmo? – replicou a criaturinha.

Ela tinha razão, sempre havia uma mulher. Quero dizer… Qual seria o sentido da vida dos homens senão existissem as mulheres? Aposto que sequer levantaríamos da cama pelas manhãs. Pensando bem… Talvez nem existissem camas… Por que alguém iria precisar de uma cama se nunca houvesse uma mulher para deitar ao seu lado? Em um mundo sem mulheres, não haveria um homem estúpido o bastante para inventar uma cama.

Eu conversei com a criaturinha por mais algum tempo. Tivemos esse momento em que homem e natureza se tornam um só. Apenas quem já sentiu a floresta em seu coração vai saber do que eu estou falando. Quem nunca a experimentou vai me achar louco por falar com um inseto.

E após algumas mensagens ela voou para longe. Eu não a quis prender. Sabe quando você sente tanto amor por uma coisa que parece que seu coração vai explodir? Foi basicamente o que aconteceu. Eu a amei tanto naqueles poucos minutos… Sabia que aquilo iria durar para sempre. Se ela quisesse me encontrar, sabia onde me achar.

E então comecei a perambular pela floresta. Devo ter perambulado por uns 15 ou 20 minutos. Quero dizer… Quando um homem está no meio da mata ele perde a noção do tempo. Por isso os índios não usam relógios.

Passado esse curto período de tempo ela apareceu novamente. Pousou na minha nuca e depois voltou para a minha mão. Conversamos um pouco e fui levar ela para que a garota pudesse vê-la. Pois é… Sempre há uma mulher. No caminho, protegi ela do vento para que ela não voasse embora. Naquele momento, meu mundo era aquele pequenino inseto e minha única missão era protegê-lo.

-Não me veja como uma ameaça. Me veja como uma extensão de você. – eu disse para ela.

Corri até a garota para lhe mostrar o bichinho. Tocamos nossas mãos e a Nativa deslizou da minha mão para ela. Foi como se o propósito da criaturinha fosse aquele, por mais que ela não admitisse. Feito isso, voltei para o reconfortante silêncio da mata. Tudo acontecia por um motivo. Sorri ao olhar para as nuvens.

As flores cresciam, o mundo girava e os insetos carregavam suas mensagens por aí.

E sempre haveria uma mulher.

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