Daquilo que fazemos quando estamos fora das jaulas

doquefazemosssss

Ambos estávamos um pouco no fim da meada. Passávamos alguns dias juntos na semana e inevitavelmente acabamos por tratar um ao outro como parte de um casal. Você sabe como isso começa, com apelidinhos bobos, piadinhas com “sogro e sogra”, mensagens de bom dia e boa noite.

Mas algo aconteceu depois da terceira ou quarta cerveja. Quero dizer, algo sempre acontece, não é mesmo? Depois da terceira, ela geralmente ficava com os olhos um pouco vesgos e eu sempre fazia questão de mencionar, apenas para lembrá-la de que ela não era perfeita. E ela também apontava os meus. Talvez, apenas para fingirmos que ambos “não estávamos nem aí”, que aquilo “não era nada” e todo aquele blá-blá-blá colossal quando você sabe que se meteu em uma fria.

Quando isso começa a acontecer você tem algumas opções: podem conversar sobre isso e começar um relacionamento, conversar sobre isso e decidirem não começar um ou podem simplesmente ir para a cama e transar como se fossem dois adolescentes bêbados. Sempre preferi a terceira opção e ela também. Não haveria nenhum amor enquanto não tocássemos no assunto. Creio que ambos estávamos satisfeitos com isso.

Cerveja após cerveja, os cigarros acabaram. Não havia mais uma desculpa para “fumarmos um cigarrinho” quando a coisa ficava quente. Então, simplesmente nos tornamos dois animais. Não falávamos palavra nenhuma, apenas atacávamos aos corpos um do outro sem qualquer pudor ou racionalidade. Lembro que o calor nos consumia, mesmo com o ar condicionado ligado. Lembro, que entre uma e outra “rapidinha” eu buscava uma cerveja gelada e conversávamos um pouco.

E claro, conversávamos sobre o calor. Ela queria se refrescar e eu queria matar a minha sede. Unimos o útil ao agradável. Comecei a despejar a cerveja sobre ela, inicialmente na região da barriga e beber diretamente do seu umbigo. Ah, sim! Éramos definitivamente dois animais selvagens. Creio que devo ter bebido 4 ou cinco cervejas diretamente dela e só parei porque todas se acabaram. A cama estava ensopada, mas nem tudo o que havia ali era cerveja. Mesmo assim, permanecíamos deitados, sem nenhuma preocupação no mundo.

Depois de um acontecimento como esse, você não consegue ficar sério. De vez em quando nos lembrávamos e riamos. A noite passou, o sol nasceu e eu fui embora, não antes de olharmos um para o outro e ver que os únicos olhos envergonhados eram os dela, ainda que não houvesse motivo para isso.

E dali, saí meio sem destino e de vez em quando encontrava um dos seus cabelos de fios pretos em alguma parte da minha roupa ou do meu corpo. Tomei alguns banhos, mas não conseguia tirar as digitais dela de mim. Era isso, afinal, que fazíamos. Tentávamos esquecer que éramos animais, nos escondendo para fazer amor. Ah, sim, há amor até na maior loucura que praticamos na cama. Conte com isso a próxima vez que pensar em reprimir um de seus desejos mais insanos.

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