Sobre encontrar o que você precisa nos olhos de uma fada

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O conto abaixo acabou de fazer aniversário de dois anos (foi publicado em Setembro de 2012 em um site no qual eu trabalhava na época). Apesar da temática fantasiosa é baseado em acontecimento reais e inesquecíveis e dedicada a uma pessoa muito querida! Como já sabem, tenho uma política de nunca revisar textos antigos pra não alterar nada que está escrito ali, por isso relevem qualquer erro eventual que possa aparecer. Espero que gostem:

Eu olhei em seus profundos olhos negros e pensei no quanto éramos novos para sentir qualquer tipo de arrependimento. Olhei para as árvores ao redor de nós e olhei para as nuvens. Aqueles olhos negros estavam fixos nos meus e eu sabia disso mesmo quando não estava olhando.

Ela sabia de algo que eu não sabia, ela sentia algo que eu não sentia, ela vivia algo que eu queria viver. Ela era minha professora, minha mentora. Eu a via com a simplicidade de uma fada e ela – quando sorria – sorria como uma.

-Tem algo errado? – eu perguntei.

-Sim. – ela respondeu.

-Tem alguém me seguindo?

-Sim.

Árvores, o céu, as montanhas. Não havia ninguém me seguindo, mas se houvesse provavelmente eu não perceberia. Era como se eu tivesse um guardião. Olhei nos seus olhos negros e ela estava sorrindo. Exatamente como uma fada.

Eu não me sentia ameaçado, eu não ameaçava nada. Minhas mãos estavam cobertas por terra. Havia terra debaixo das minhas unhas, terra na sola dos meus pés, terra sobre toda a minha roupa.

“Ah, sim, eu gosto de você, mundo”. – eu pensei comigo mesmo. Olhei para a fada e aposto que ela pensava o mesmo. Nós dois gostávamos do mundo. A neblina o tornava impossível de ser enxergado, mas nós o sentíamos.

-Nós e o mundo… – ela disse, mas parou. Nós dois entendemos.

Nós e o mundo – continuamos cada um em nossas mentes – somos um só. O homem jamais deverá se separar da natureza, jamais deverá se afastar dela. O homem é parte de tudo.

Somos primitivos. A fada sabia disso e eu também. Não falávamos nada, mas nós dois sabíamos disso. Éramos irmãos, irmãos de terra, irmãos de sangue. Ela mordeu uma maçã e eu mordi um morango. Da terra, tudo vinha da terra. Os quatro elementos, eles haviam criado tudo, inclusive aquele momento.

E não precisávamos de mais nada. Encontramos tudo que tínhamos buscado. Estávamos completos, éramos irmãos. Não faltava nada nem ninguém. Todos pisávamos sobre a mesma terra, todos voltamos a natureza e todos entendemos coisas que o homem havia nascido sabendo, mas esqueceu-se rapidamente. E nada estava separado. A terra, o fogo, o ar, a água. Tudo parte de um só. Cada um de nós unicamente parte de um todo. Nada era igual, cada pequena coisa tinha milhões de detalhes e poderíamos passar horas observando.

Não é assim que as coisas deveriam ser o tempo inteiro? Como podemos esquecer disso? Como podemos demorar tanto para descobrirmos? Todos os dias deveriam ser como aqueles. Você não pode perceber se passa um minuto ou trezentos, pois se percebeu, você está fazendo algo errado. Você não é um escravo do tempo.

Mundo, nós gostamos de você. Gostamos da gente. Gostamos de ser parte de um todo. Gostamos dos detalhes. Nunca tiramos um tempo pra pensarmos, para nos desligarmos da sociedade e nos conectarmos com o mundo. E quando, finalmente o fazemos, nos conectamos com os deuses, nos conectamos com a vida, nos conectamos com nós mesmos.

Somos todos diferentes. O mundo é a única coisa que todos temos em comum.

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