Senhoras e senhores… Nossa boa e velha amiga: a carência (lembra dela?)

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Um dos meus passatempos prediletos é assistir aos relacionamentos alheios. Não, eu não me orgulho disso, mas gosto de apanhar um saco de pipocas, um refrigerante e sentar em uma poltrona confortável observando os rumos que as coisas irão tomar. Confie em mim: as pessoas são a melhor forma de entretenimento que o nosso dinheiro não é capaz de comprar.

E quando falamos em relacionamento, falamos em casais. Quando falamos em casais do século XXI, falamos em carência. Acredite quando eu digo e repito pela milésima vez: a maioria dos casais não está feliz. Lembra de mim, o cara na poltrona confortável com um saco de pipocas e um refrigerante? Pois é… Ele (ou eu mesmo) foi quem chegou a essa conclusão.

Você sabe qual é o “mal do mundo” quando falamos em relacionamentos? Ah sim, meus amigos… A boa e velha carência. Vejo tantas pessoas investindo em um relacionamento sem futuro pelo simples medo de ficarem sozinhas que acabo refletindo sobre a boa e velha carência. Se me perguntar se eu tenho medo de acabar sozinho um dia, eu provavelmente responderei que sim. Afinal, quem não tem? O problema é que as pessoas estão DESESPERADAS para não ficarem sozinhas. Eu falo DESESPERO em letras maiúsculas mesmo para expressar a gravidade da situação. As pessoas não conseguem ficar sozinhas nem mesmo por um fim de semana que seja.

E eu fico surpreso com o rumo que essas coisas tomam. Eu tinha esse amigo e acabamos ficando solteiros na mesma época alguns anos atrás. Eu sempre falava pra ele que tinha medo da primeira garota que eu fosse pegar na vida de solteiro, pois do jeito que eu estava carente e pegajoso acabaria casando com ela ou algo assim. Ele, pelo contrário não demonstrava nada disso e ficava bastante tranquilo. Quando começamos a sair juntos era ele quem pegava as garotas e eu ficava meio que “sobrando”.

Mas não deu tempo! Logo ele foi fisgado pela própria carência. Conhecemos umas garotas em uma festa algumas semanas depois e eu lembro claramente dele repetindo para mim diversas vezes: “Eu estou odiando essa mulher cara… Vou comer e cair fora!”. Ele veio para mim com aquela frase algumas vezes naquela noite, até que simplesmente enfiou a garota em seu carro e saiu cantando os pneus.

Você pensa que a história acaba aqui, não é? Pois não acaba. Veja bem… Eu estava recém-solteiro e demonstrava minha carência 24 horas por dia, estava cansado de fingir. Esse meu amigo, por outro lado, estava firme como uma rocha. Eu sofria pelo término do meu fracassado relacionamento, ele celebrava o do seu. Mas sabe qual foi o X da questão? Ambos estávamos de coração partido, mas ele acabou suprimindo a carência enquanto eu a exibia quase como se fosse um troféu.

Resultado: os anos se passaram e de vez em quando vamos tomar algumas cervejas juntos. Eu? Continuo solteiro desde aquela época (tirando um “namoro” de quatro dias que eu tive no ano passado e que um dia ei de contar aqui). Ele? Está noivo e continua me dizendo a mesma coisa: “Você sabe cara… Eu não suporto essa mulher!”.

E eu não estou dizendo que eles brincam de gato e rato. Eles realmente NÃO SE SUPORTAM. Ainda assim, devem casar nos próximos meses (aposto que eu não vou ser chamado para ser padrinho depois desse texto, mas não importa). Talvez se esse meu amigo tivesse feito o que eu fiz quando estava carente e fodido ele não teria se metido nessa enrascada. O que eu fiz? Ora… Eu já contei! Eu assumi que estava carente e fodido.

E quer saber do que mais? Você provavelmente conhece algumas histórias parecidas (ou bem piores do que essa) no seu cotidiano. Faça como eu: apanhe um saco de pipocas, um refrigerante e procure por uma poltrona confortável. Olhar diretamente para a carência costuma mantê-la longe.

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