Quando uma mulher que você não ama diz que te ama

donloveya

Na minha cabeça eu pensava: “Por favor, não diga, não diga, não diga… Pelo amor de Deus, NÃO DIGA”, mas todo o clamor que se escondia por trás de meus olhos castanhos pareceu não importar para ela. Ela simplesmente disse:

-Eu te amo.

Simples assim, meu pior pesadelo se tornando realidade. Nos conhecíamos há 15 ou 17 horas… Como ela poderia me amar?

Então ela acendeu um cigarro e simplesmente ficou encarando a janela. As árvores ali guardavam segredos, mas elas não contariam para ela. Ela não sabia guardar segredos. Fiquei me perguntando enquanto estava ali, com uma garrafa de cerveja na mão: ela estaria mentindo pra mim ou para si mesma?

Torci verdadeiramente para que ela estivesse mentindo para mim. Eu poderia aguentar um “eu te amo” falso sem dificuldades. Já tinha me deparado com eles muitas vezes e eles já não me assustavam (ou me feriam) como um dia já fizeram.

(Ela continua encarando o teto, provavelmente esperando que eu dissesse de volta. Mas eu não faria isso. Não mentiria para ela. Não mentiria para mim mesmo.)

A outra opção era ela estar mentindo para si mesma. Essa hipótese sim era um pesadelo. Como você poderia explicar para alguém que acabou de conhecer que na verdade aquela pessoa não te ama? É tão difícil quanto dizer “eu te amo” para alguém que você acabou de conhecer, presumo eu.

Nessa hora tudo o que me restava a fazer era ser o babaca.

-Eu não! – respondi, bastante tímido.

Ainda mais estúpida foi a sua réplica:

-Mentiroso!

Fiz o que todo homem que não poderia ter aquela conversa faria: sai discretamente enquanto ela olhava para o teto. Ainda podia ouvi-la falando sozinha quando fechei cuidadosamente a porta para que ela não percebesse meus movimentos de fuga.

E ali estava eu, no mesmo santuário de sempre: na rua, sozinho com meus pensamentos. Olhei para a rua e disse:

-Eu te amo!

E a rua então respondeu:

-Mentiroso. – dessa vez, não me importei com a réplica.

Comecei a caminhar em direção à minha casa. Era uma caminhada curta, mas acima de tudo uma oportunidade para digerir aquilo tudo antes de chegar em casa e tirar o sono dos justos. Me peguei pensando nas árvores que eu podia ver da janela do quarto dela. Gostaria de saber qual segredo elas escondiam. Aposto que elas encontrariam em mim um confidente. Mas… Eu nunca saberei. Não voltarei a vê-las.

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