Nem sempre precisamos de um ponto final

sem dizer adeus

Eu conheci essa garota e as coisas realmente aconteceram. Eu mostrei à ela cicatrizes que eu nunca tinha mostrado para ninguém e ela fez o mesmo. Passávamos a noite juntos e achávamos que tudo o que tínhamos conversado madrugada adentro de alguma forma inexplicável poderia mudar o mundo lá fora.

Quando saíamos respirávamos profundamente juntos e por um instante acreditávamos que o mundo tinha se transformado.Não demorava muito para ver que tudo continuava igual. Ela tinha esse carro velho com o qual íamos para cima e para baixo procurando por algo que pudéssemos ter alterado, enquanto não parávamos de falar sobre as coisas da vida e do universo. Costumávamos dizer que nossos anjos e demônios eram bem parecidos.

Mas havia algo que apenas nós dois sabíamos, como se fizéssemos parte de alguma sociedade secreta da qual apenas nós dois fazíamos parte e da qual apenas nós dois sabíamos. Parecia que no fundo de nossas almas sabíamos como o mundo deveria realmente ser, o que todo mundo deveria fazer. Ainda assim, o mundo continuava o mesmo.

Perguntávamos a nós mesmos o que nós poderíamos fazer? Deveríamos correr por aí gritando com as pessoas ou nos sentarmos embaixo de uma árvore procurando nuvens no formato de animais?

Nós nunca brigávamos e acho que isso incomodava a ambos. Sempre que chegávamos perto de discutir, engolíamos nós mesmos o veneno de nossas palavras e esperávamos que o silêncio fizesse sua mágica. REALMENTE FUNCIONAVA. O confronto era inicialmente evitado e logo deixava de haver uma razão para que ele acontecesse. Fazia sentido e parávamos de pensar a respeito.

Nunca dissemos adeus. Se ela era de fato parecida comigo, ela provavelmente detestaria uma despedida… Eu certamente detestaria “terminar” as coisas com algo definitivo. Não precisávamos de um ponto final. 

No meu primeiro dia na capital ela me ligou, mas não atendi… Por mais que eu quisesse. Creio que o silêncio fez sua mágica novamente e que ambos compreendemos que não queríamos mudar o mundo, mas apenas a nós mesmos.

Missão cumprida… Missão cumprida!

(Talvez tenha sido apenas uma forma de dizer adeus do nosso jeito especial)

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