Se você não agarrá-la no fim da noite, talvez ela o agarre

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Creio que quase ninguém acredita quando eu falo isso, mas às vezes eu saio por ai sem a menor pretensão de ir para a cama com alguém. E foi assim naquela sexta-feira, quando combinamos “uma cervejinha” após o expediente. Lembro que tivemos alguma confusão com os horários e acabei indo esperar por ela no Stuart, um bar tradicional da cidade no qual comecei a me entorpecer com algumas taças de vinho e alguns chopes gelados.

Lembro de ter algumas distrações naquela noite e nem por um segundo ter ficado nervoso. Eu era simplesmente um cara sentado num bar, degustando algumas bebidas enquanto esperava por companhia. Quando ela chegou, eu subitamente disse um “oi” e a abracei, quando eu pude sentir o seu cheiro pela primeira vez. Era doce, como deveria ser o cheiro de todas as mulheres. Queria que aquele abraço não acabasse, mas a noite havia recém começado.

Caminhamos até uma rua onde a vida noturna era um pouco mais agitada e começamos a beber. Duas cervejas aqui, três lá, quatro ali no outro bar… Você sabe como essas coisas funcionam. Enquanto ela falava (e ela realmente falava demais) pensava comigo mesmo no quanto aquilo não me irritava como costumava. Geralmente eu prefiro que as pessoas falem pouco enquanto dou meus pequenos showzinhos e as deixo confusas.

Naquele dia, quem ficara confuso tinha sido eu. Quero dizer… A conversa estava sempre boa e os copos estavam sempre cheios. Lembro de pequenos detalhes, do jeito com o qual ela acendia o cigarro e do jeito que seus olhos ficavam olhando para o lado quando eu falava alguma besteira. Mas acima de tudo, lembro de ter ficado confuso. Quando caminhávamos de um bar para o outro eu segurava a sua mão e dizia que era “para que os outros caras não achassem que ela estava sozinha”. Pura besteira! Tudo o que eu queria fazer era segurar sua mão, nada mais importava. Que secassem todos os barris de cerveja na cidade, se eu pudesse segurar sua mão por alguns minutinhos a mais. Mesmo assim, ela parecia não dar muita importância.

Todavia as sextas-feiras costumam sempre nos surpreender, para melhor ou para pior. Naquela sexta foi para o melhor: em algum ponto naquela noite, com os copos ainda cheios ela simplesmente me agarrou. Aquilo foi agradavelmente surpreendente pois eu não esperava beijá-la naquela noite (ainda menos esperava ser beijado por ela). Ainda assim, havia acontecido e a noite tinha começado a ficar ainda mais interessante.

Havia chegado a hora derradeira em que tínhamos que decidir o que faríamos quando o último bar fechasse. Eu queria continuar a vendo e ela também. A conversa tinha ficado mais apaixonada e cativante e ninguém costuma querer abandonar conversas daquele tipo. Chegamos a uma conclusão: ou a casa dela ou a minha. Geralmente, eu prefiro levar as garotas pra minha casa, mas eu não estava morando na minha casa propriamente dita quando isso aconteceu (adoraria explicar, mas prefiro me calar nesse sentido).

Vi a mim mesmo nela quando ela disse: “Vamos lá pra casa… Mas está tudo uma bagunça”. Entramos por um caminho errado enquanto estávamos indo para o ponto de táxi e acabamos passando por uma tenebrosa rua: prostitutas menores de idade com os seios à mostra, consumo de drogas em praça pública e todo o pior que vocês podem imaginar. Incrivelmente, nada daquilo parecia tirar a magia da noite, apenas deixa-la um pouco mais encantadora. Provavelmente iríamos rir daquilo no dia seguinte (e realmente o fizemos).

Rachamos o táxi e fomos parar na casa dela, quando me deparei com toda a bagunça da qual ela tinha falado: quem pensa que apenas os homens são bagunceiros, deveria dar uma olhada no quarto daquela mulher. Demorou uns minutinhos para que ela “arrumasse” a coisa toda e pegasse uma garrafa de vinho para saborearmos.

Lembro dela sentada no meu colo, de frente para mim enquanto degustávamos o vinho. Apenas um pouquinho para cada um, na medida em que secamos a garrafa rapidamente. O sexo foi um pouco tímido, mas não é sobre ele que quero falar.

O que eu quero dizer é que quando uma garota lhe agarra em público e mostra todo o seu quarto bagunçado para você, você não vai para casa do mesmo jeito no dia seguinte. Algo dentro de você mudou. E você espera que algo dentro dela também tenha mudado, na medida em que caminha olhando para os próprios pés.

A questão sobre relacionamentos é que você nunca sabe quanto tempo eles irão durar. Podem durar apenas uma noite ou quem sabe uma vida. O que você faz? Você faz sua parte para que ele dure exatamente o quanto deva durar. Passada uma semana eu ainda olhava para o céu e dizia: “Ah, Deus! Só mais um dia e depois pode tirá-la de mim”.

E Ele ainda não a tirou. Talvez eu esteja sendo um bom menino. Ou talvez, afinal, esteja tudo escrito nas estrelas.

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Um comentário sobre “Se você não agarrá-la no fim da noite, talvez ela o agarre

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