Quando você vai para a cama com alguém para se esquecer de outra pessoa…

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O texto abaixo foi publicado em Agosto de 2013 quando eu era redator do Noite A Full. Como já sabem, prefiro não alterar o conteúdo das postagens antigas, de modo que elas são postadas sem revisão! Espero que gostem e apreciem a sinfonia silenciosa que tocou meu coração em uma história real que se passou na época! Cheers! 😉

Havia algo dentro de mim que dizia que aquele não era o lugar para eu estar no momento. Como crianças, observávamos a fumaça do cigarro dançando e fugindo pela janela. Era o último cigarro da carteira e o dividíamos como se fossemos um só. Ela me alcançou o cigarro aceso e notei o cor-de-rosa do seu batom no filtro. Senti-me bem com aquilo.

Quando você vai pra cama com alguém para esquecer-se de outra pessoa, geralmente você tem a súbita vontade de correr quando o sexo termina. Desta vez, isso não acontecia. Em parte, pois ela fazia o mesmo. Ambos estávamos bem confortáveis naquela situação: Havíamos fugido e nos escondido atrás de cortinas de fumaça. Naquele momento, nós dois contra o mundo.

Não precisávamos dizer nada. Não havia nenhum sentimento á ser revelado. Não era amor… Era outra coisa. Uma coisa que não tem nome. Éramos fugitivos do amor e o silêncio dizia tudo. Não aproveitávamos a companhia um do outro, cada um aproveitava a sua própria.

Tínhamos sido apenas uma distração, talvez os anjos olhassem para a gente do céu. Talvez não. Talvez tudo o que houvesse era o ali e agora. Talvez não. Respiramos fundo e olhamos um para o outro: Nenhum amor perdido, nenhum amor encontrado. Demos as mãos, por algum motivo, como se aquilo significasse alguma coisa.

Simplesmente ficamos ali, apagamos as luzes e conversamos um pouco no escuro. Não falamos sobre o que tinha acontecido, apesar de não estarmos nem um pouco envergonhados. Apenas… Não havia o que ser dito. Um pouco de conversa fiada e antes que eu consiga perceber, eu já tinha dormido. Talvez ela tivesse dormido antes de mim, talvez não.

O sol veio me acordar e ela não estava mais lá. Antes de ir, ela tinha feito o café. Talvez aquilo tivesse significado algo, talvez não. Servi-me de uma xícara e tive a idiota ideia de que ela podia ter me envenenado. Geralmente eu ficava com as loucas e aquela ali não tinha me revelado a sua loucura. E todas elas eram loucas. Então, tudo aquilo me pareceu um tanto quanto estranho. O café estava ótimo. Talvez ela o tivesse feito por gratidão, talvez não.

E quando voltei para a cama, encontrei um fio de seus cabelos pretos. Um pequeno vestígio de que alguém havia estado ali. Eu segurei aquele fio de cabelo em minhas mãos e desejei que ele fosse de outra cor, de outra pessoa. Quando você vai pra cama com alguém para esquecer-se de outra pessoa, você geralmente não se esquece. Varri todos aqueles sentimentos para baixo do tapete e sorri.

E com aquela sensação de “tanto faz”, lavei bem o rosto e me olhei no espelho. Sentia-me bem… Estranhamente bem.

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