Minha primeira meditação e o primeiro contato

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Meu corpo lentamente começava a apagar. Tudo começou do dedinho do pé direito: ele lentamente ia ficando mais leve, até eu não mais poder senti-lo e finalmente ele deixou de existir como se deixasse meu corpo e sumisse da face da terra. Logo, os outros dedos foram pegos por o que quer que fosse aquele estado de relaxamento e em seguida eu tinha perdido ambos os pés.

As canelas, joelhos e coxas começaram a ficar leves e logo eu não sentia nada da cintura para baixo. Eu era um homem sem pernas, incapaz de abrir os olhos. O que me parecia é que minhas pernas tinham se levantado e corrido para longe, mas estava curioso demais com o que acontecia dentro de mimpara olhar para elas.

Acreditava que a barriga seria a próxima a dormir, mas foram as minhas mãos e vagarosamente os meus braços. A coluna veio em seguida, juntamente com o pescoço e aquela sensação desceu até a barriga como se eu tivesse engolido uma fada. Havia um pequeno ser dentro de mim fazendo tudo aquilo, pois sozinho eu não seria capaz (ou pelo menos acreditei que não seria naquele momento).

Depois de tudo isso eu ainda estava consciente, mesmo de olhos fechados e com pouca coisa na mente. Direcionei meu olhar para o terceiro olho (região acima dos dois olhos) e apenas fiquei ali, existindo. Respirava fundo, mas não sentia nada do meu corpo. Parecia que de algum jeito eu tinha sido hipnotizado por mim mesmo.

Meus olhos estavam fechados, mas eu não enxergava por meio deles. Minha respiração começou a se tornar uma coisa apenas. Refleti e descobri que vinha respirando errado a minha vida inteira. Logo, ela deixou de existir e tudo o que havia eram luzes e cores. Parecia tudo muito abstrato e eu não tinha coragem o bastante para “olhar” para elas, mas com o passar do tempo fui ousando. O tempo parou de existir e o mesmo aconteceu com o medo.

Vi a mim mesmo na condição de espectador, como se alguém tivesse jogado uma poderosa magia sobre mim. Tudo o que existia era a luz e eu queria que aquele momento não acabasse nunca. Apenas sentia: a eternidade, a alma, o universo, a vida. Eu não era simplesmente uma carcaça ambulante, era uma alma que dançava com outras almas. As cores e luzes começaram a tomar forma e proporções, mas não exatamente de pessoas. Eram seres, assim como eu. Me perguntava como elas me viam e se elas realmente me viam.

Como eu disse, o tempo não existia. Dancei sem me mover. Me alimentei, mesmo sem alimentos. Vivia, mesmo além da imposição física que um dia nos falaram que tinha sido colocada sobre nós. Não precisava do meu corpo, precisava da minha alma. Aquele oceano colorido de seres celestiais brincava comigo. Eu sorria, sem ter uma boca. Enxergava, sem ter olhos. Ouvia, sem ter ouvidos.

Ah sim, eu os ouvia. Telepaticamente todos aqueles seres falavam comigo e me entregavam importantes mensagens. Compreendi que aquele era meu estado natural, minha essência, minha alma.

Compreendi tudo enquanto lentamente ia voltando para o meu corpo.

Quando abri os olhos, não compreendi mais nada.

Ainda assim, o mundo parecia ter se transformado. Basta dar um pouquinho de luz para alguém e ela nunca mais enxergará o mundo da mesma maneira. Abençoei a mim mesmo e a todos aqueles seres. A gratidão parecia gritar dentro do meu peito e algo dentro de mim me disse que eu sempre estaria naquele astral.

Naquele dia eu morri.

Naquele dia eu nasci.

De vez em quando (quando me é permitido) eu volto para lá. E é como se as criaturas de luz me dissessem: “Se lembra da sua primeira vez?”

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