A história que eu mais odiei (e que você provavelmente vai amar) que eu já escrevi

ahistoriaquemaisodiei

ATENÇÃO: ESSA É UMA HISTÓRIA FICTÍCIA E NÃO É DIRIGIDA A NINGUÉM EM ESPECIAL.

Eu estava de coração partido e quando comuniquei isso a um amigo ele imediatamente providenciou um “comitê de boas vindas” para celebrar que eu não me ausentaria mais por um booom tempo. Eu fui ao prédio dele e encontrei com alguns amigos. Estava meio cabisbaixo, mas fingia que estava no topo do mundo.

-Temos uma surpresa de boas vindas pra você! – disse meu amigo, erguendo uma garrafa de uísque em uma mão e segurando alguns copos na outra.

–Aceito! – eu disse com um sorriso forçado. Sentia que eu não estava convencendo ninguém, mas os caras pareciam bem empolgados.

Em um canto discreto duas outras garotas conversavam. Estávamos em quatro então não entendi o que aquilo significava.

-Quem são elas? – perguntei lá pela terceira ou quarta dose. As duas garotas simplesmente ficavam lá, olhando para nós e tomando umas cervejas.

-Bem… – disse meu amigo – O uísque não é o único presente de boas vindas pra você! Olhe para a loirinha!

Olhei para a garota. Ela tinha nos lábios uma cor que me lembrava morangos. Era baixinha, mas tinha um belo corpo. Seios que pareciam firmes e uma bunda empinadíssima. Sua pele branca de tom leite contrastava com o batom vermelho, o vestido preto e os brincos dourados. Ela olhou para mim e sorriu.

Agora, na minha vida de solteiro eu sempre tive uma regra: você nunca paga por algo que você pode ter de graça. E eu estava de volta nela, então relembrei meu amigo da minha boa e velha regra.

-Eu juro! – disse ele – Ninguém pagou a garota! Ela é caloura da UFPR e gosta muito de você!

-Sei… – eu disse, em um tom descontente – Eu nunca vi essa garota em toda minha vida e ela gosta de mim e está me devorando com os olhos, é isso mesmo?

Não estava nem um pouco empolgado. Podia jurar que eles tinham pago a garota para estar ali. Ela me olhava como se estivesse morta de fome e eu fosse sua última refeição. Tentava disfarçar o olhar, mas aquele batom vermelho não deixava que eu olhasse para qualquer outra coisa na sala.

-Eu juro! É uma fã! – ele disse – Ela ama o que você escreve. Disse algo sobre você ter um pensamento parecido com o dela e blá-blá-blá. Simplesmente vá até ela e dê um oi!

-Não! – eu disse, mas então olhei para a garota: lá de longe, notei que ela tinha grandes e saborosos olhos verdes. Fechei os olhos e pensei em quanto tempo eu não tinha provado uma loira de olhos verdes. Pensei nela fazendo as coisas mais nefastas na cama em apenas um segundo com os olhos fechados.

Então eu disse:

-Tudo bem! Você jura que ela não é uma…

-Uma puta? Confie em mim. Eu não teria dinheiro pra pagar uma. Se tivesse… Certamente iria pagar uma pra mim. Ela está aqui por você, cara! Falamos tanto de você que você nem precisa falar nada. Pegue para a cintura e leve para a cama.

Dei uma gargalhada desconfortável.

Aquilo só me fez pensar ainda mais que algum deles (ou talvez todos eles) tinha pago a garota para estar ali. Agora me entenda bem: eu não tenho nada contra garotas de programa, muito pelo contrário. Eu apenas não me sentiria confortável em alguém (ou até eu mesmo) ter que pagar para levar uma garota para a cama.

Não me sentia seguro com aquilo,  Mesmo assim enchi o copo, acendi um cigarro e comecei a caminhar na direção dela de um jeito bem desconfortável. Mexia o copo com gelo como se eu estivesse tentando matar um bicho dentro dele. Me aproximei dela e ela simplesmente olhou para o outro lado.

-Oi! – eu disse.

Imediatamente, ela pediu como se pronunciava o meu sobrenome. Trocamos apresentações e começamos a conversar. Não estava convencido de que aquela não era uma garota de programa, mas ela tinha alguns papos bastante interessantes. E ela realmente tinha me lido! Ela me perguntava coisas sobre textos que eu tinha escrito há um ano atrás quando estava em outra cidade vivendo outro tipo de vida. Ela conhecia meus textos sobre amor e meus textos sobre sexo. Discordava da maioria, mas concordava com alguns poucos. Ninguém a teria pago para ler os meus rabiscos, certo?

Depois de algum tempo, levei ela para um dos quartos da casa. Meus três amigos disputavam pela outra garota como se fossem pavões exibindo as penas. Trancamos a porta e ela imediatamente se jogou na cama e ligou um som no celular. Dei risada ao perceber que em toda a playlist dela havia samba.

Ela se livrou do vestido facilmente, ficando apenas de calcinha e sutiã. Ela sorria para mim com os dentes mais brancos que eu já tinha visto em uma mulher. Agora, dentes brancos foram sempre uma coisa que eu admirei. Com aquele batom vermelho-morango então…

Fazia tempo que eu não ficava “confortável” com uma desconhecida. Tirei a camisa devagar e ela fez alguma piadinha sobre eu estar fazendo uma tentativa de striptease sem sucesso. Pensei no quão brochante podia ser aquilo e simplesmente arranquei minhas calças. Eu olhei para ela no fundo daqueles olhos verdes e ela perguntou:

-Está tudo bem?

-Está! – eu respondi com outro sorriso forçado.

-Então venha aqui! – ela disse, e abriu os braços.

Era aquilo. Toquei o rosto dela e ela sorriu. Começou a trazer meu rosto para perto do dela e começamos a nos beijar. Sem dificuldades, removi seu sutiã.

-Você tem prática nisso, não tem? – ela perguntou, dando uma gargalhada. Pela primeira vez naquela noite, ri sinceramente.

Continuamos. Comecei a distribuir beijos por seu peito e fui descendo. Quando me aproximei da parte de baixo, comecei a passar a língua por sua virilha. Me admirava o tom de pele dela. Era como se ela nunca tivesse sido tocada. Foi quando eu tive certeza que ela não era uma garota de programa: não havia nenhuma marca de palmada ou chupão em todo seu corpo (confie em mim: eu procurei). Finalmente tirei sua calcinha e ali estava o motivo pelo qual eu sairá de casa naquela noite de segunda-feira. Comecei a estimulá-la e ela me deu o que eu gosto de chamar de “uma chave de coxas”, me deixando preso ali. É quando sabemos que estamos fazendo a coisa certa, não é?

Aquilo durou cerca de 15 minutos, mas eu não estava ali. Estava pensando em diversas outras coisas, embora sentisse aquele gosto agradabilíssimo descendo por minha garganta.

-Você tem uma camisinha? – ela perguntou.

(Ela não era uma prostituta. Prova 2. Se fosse, teria uma camisinha ela própria.)

Apanhei minha calça do chão e procurei em meus bolsos, encontrando uma.

-Apenas uma! – eu disse – Então temos que fazer direito!

Ambos sorrimos. Ela abriu a camisinha e a colocou em mim, dando leves chupadinhas antes. Naquele momento, eu estava nas nuvens. Na verdade, eu não era capaz de olhar para uma mulher nos olhos enquanto estava perdidamente apaixonado por outra. Ela então se jogou na cama e disse:

-Venha pra mim!

Eu a virei de costas e disse:

-Fique de quatro! Fique de quatro!

Obedientemente, ela o fez. E realmente ficou de quatro. Não como uma corcunda que não sabia o que estava fazendo. Ela sabia, de fato valorizar toda a carne deliciosa que tinha em seu corpo. Quando demos a primeira metida ela disse:

-Me desculpe se eu não for muito boa. Estou a um tempo sem fazer isso.

Eu parei imediatamente. Era uma garota gostosa, MUITO GOSTOSA. Não podia entender como ela poderia estar sem sexo há mais tempo do que eu.

-Há quanto tempo? – eu perguntei.

-2 meses. – ela respondeu meio sem graça – Algum problema?

-Por que? – eu perguntei então.

Ela se sentou, olhou profundamente em meus olhos e disse:

-Estou tentando esquecer de alguém. Algum problema com isso?

Eu me sentei ao seu lado e disse:

-Não, eu também estou tentando esquecer de alguém. Isso é uma merda, eu realmente quero te comer! – eu a disse.

-E não vai? – ela questionou.

-Eu acho que não! – eu respondi.

Olhei para ela e ela estava olhando para o meu pau.

-Tudo bem! – ela disse, alcançando o sutiã do lado da cama.

-Tudo bem? Apenas isso? – eu perguntei.

-Sim, tudo bem… Quero dizer… Você está duro como uma rocha aqui – ela disse, segurando sua mão precisamente em meu pau – e eu estou ensopada aqui – colocou sua outra mão sobre a sua vagina – então deve ter algum bom motivo para você não querer me botar de quatro e me espancar como a menina má que eu sou. Quero dizer… Eu sei algumas coisas sobre você… Você é inteligente, não é?

-Nunca me senti tão burro! – eu disse para ela.

Agora, me entendam: dois meses atrás, independentemente do que tivesse acontecido eu a colocaria de quatro e a espancaria loucamente. E eu daria a ela a noite da vida dela. Essa é minha certeza. Mas, naquele momento… Tudo o que eu conseguia pensar é que aquela não era exatamente a pessoa com quem queria estar naquele momento.

Ela se levantou, indo procurar sua calcinha que eu tinha lançado no chão. Depois disso, abriu a janela e procurou um cigarro de filtro amarelo em sua bolsa. Me alcançou outro.

-Então… Qual é o nome dela? – perguntou.

Sempre haveria uma garota, não é mesmo? Em nossos melhores e piores momentos sempre havia uma garota. Naquele momento eu me dei conta de alguma coisa: eu tinha terminado um relacionamento curto (porém intenso) há três dias atrás e não tinha conversado com ninguém a respeito. Quando ela me pediu “qual é o nome dela” imediatamente comecei a contar a história nos mais mínimos detalhes. Contei de quando nos conhecemos, contei do dia em que ela havia aparecido na minha casa e me pedido em namoro e contei de como ela havia ganho meu coração. Contei sobre quando eu disse “eu te amo” para ela e como foi a segunda vez que eu disse isso sem ser brincadeira em toda a minha vida. Contei sobre a discussão que tínhamos tido algumas horas atrás, contei que me sentia um verdadeiro paspalho naquele momento.

-Você se sente enganado, é isso? – ela perguntou.

-Enganado é uma palavra muito suave. Sinto que fui um completo imbecil por ter acreditado nela!

-Anderson, Anderson… – ela disse, apagando o cigarro no cinzeiro ao lado da cama e me trazendo para perto dela – Você escreve tanto sobre mulheres mas não sabe tanto sobre elas, não é?

Apenas olhei para ela.

-Nós (mulheres) respondemos àquilo que vocês dizem. Se ela disse que não lhe ama, provavelmente estava respondendo algo que você disse. Você me contou uma história, mas omitiu completamente tudo o que você disse. Falou apenas sobre ela.

-Eu cometi meus erros, pode apostar! – eu disse – Mas eu nunca disse que não a amava. Pelo contrário: demorei a dizer que amava. Só disse quando de fato acreditei.

-E aí?

-E aí eu comecei a planejar uma vida nela, mesmo continuando com meus erros. Eu errei, sabe? Mas não parei de querer ela ao meu lado nem por um segundo. Não a queria longe agora.

Ao perceber que eu ainda estava ereto, ela fez uma piada. Ambos rimos e continuamos conversando:

-E você realmente acredita que ela não te amou?

-Não sei.

-Ela pode não te amar agora, mas por um segundo lá atrás ela deve ter amado. Sabe… Ela chegou na sua casa e lhe pediu em namoro. Você sabe que não é uma coisa que as garotas costumam fazer, certo?

-Eu sei, EU SEI! – gritei – Mas o problema é que agora… Toda vez que penso nela me sinto pra baixo. Toda vez que ela me fala alguma coisa me sinto pra baixo. Toda vez que me lembro dela me sinto para baixo. Mal consigo ir para a minha própria casa, pois está cheia dos fios de cabelo dela. Não consigo nem mesmo olhar pra minha gata, pois a minha gata me lembra dela!

-Você parece uma garotinha apaixonada de 15 anos! – ela disse, gargalhando.

-Eu sei, porra! – eu disse calmamente, fixando o olhar no chão.

-E você quer esquecer dessa garota? – ela então perguntou.

Se ela tivesse feito essa pergunta dois meses atrás eu simplesmente teria respondido “QUERO” e nunca mais pensaria na pessoa, exceto para contar as minhas histórias. Algo havia mudado dentro de mim. Simplesmente respondi um não-consistente “não sei”.

-Se realmente quisesse não iria olhar para o celular a cada 30 segundos. – disse ela.

-E o que eu faço? Porra, não consigo ficar na minha própria casa. Não consigo parar de pensar e toda vez que penso nela fico pra baixo. Que merda você quer que eu faça?

-Jure pra mim! – ela disse então. Pela primeira vez na noite, ela não estava sorrindo – Jure que quer esquecê-la.

-Eu mal te conheço… De que adianta?

-Não jure pra mim então! Jure por você mesmo!

-Mas eu não quero esquecê-la…. – eu disse, olhando para o celular. Tudo o que eu esperava naquele momento era alguma mensagem de minha amada. Repito: se acontecesse dois meses atrás, eu nem ao menos olharia para o celular. Algo tinha mudado.

Ela arrancou o celular da minha mão.

-Então… Ou você liga pra ela ou esquece. Simples assim! Se não consegue decidir o que fazer da sua vida, eu decido por você.

-TUDO BEM, EU LIGO! – eu disse, arrancando meu celular de sua mão. Procurei pelo número dela na lista de contatos, mas desliguei antes que discasse. Simplesmente olhei para o chão. Repito: isso não é de mim. Repito também: nunca me senti tão idiota.

-Vai ligar ou não? – ela perguntou.

-Acho que não… – eu disse.

Ela continuou olhando para mim fixamente.

-Você ama ela? – ela perguntou.

-Se eu não amasse, suas calcinhas estariam no chão agora. – respondi.

-E acredita que vocês poderiam ter algo?

-Acreditei… Até algumas horas atrás… – eu disse – Mas de que importa? Ela deixou bem claro que está terminado. Que mais eu posso fazer?

-Você parece uma criancinha! – ela disse – O que tem de tão errado em levar um fora?

De fato, não havia nada em levar um fora. O problema estava em ter acreditado em algo de uma maneira tão especial e aquilo tudo ter ido por água abaixo. O problema estava em ter criado uma conexão tão especial e íntima com alguém que quase não pude acreditar quando ela negou-a. O problema estava em ter dito um “eu te amo” para alguém que me negou amor. Quero dizer… Não sou nenhum santo…. Mas o meu “te amo” é sagrado. Eu não diria para qualquer pessoa. Eu tinha planos pra essa garota: queria passar o resto da vida com ela. Do contrário, poderia tê-la amado, mas jamais diria… Jamais entregaria meu coração se eu pensasse que precisaria pegá-lo de volta.

Com meu silêncio ela lançou outra pergunta:

-Acha que pode esquecer ela?

Fiquei em silêncio por alguns minutos novamente. Ela foi até a sala, pegou a garrafa de uísque e trouxe-a para o quarto. Nem sequer se importou em colocar o vestido preto novamente. Voltou e acendeu dois cigarros para nós.

-Sabe… – eu disse pegando o cigarro e dando uma boa tragada – Há quase meia década atrás eu tive essa outra garota… Moramos juntos, eu queria realmente me casar com ela. Quando tudo foi pelos ares eu fiquei desolado… Eu me sinto exatamente do mesmo jeito agora! Perdi o amor da minha vida há alguns anos atrás e quando finalmente a esqueci por outra mulher, me pareceu simplesmente uma ilusão. Entende o quanto isso é distorcido e obscuro?

-Não. – ela respondeu – Não entendo como uma garota que você conhece há menos de três meses pode ser tão importante quanto uma garota com a qual você morou e queria se casar.

-Nem eu! -respondi.

Continuamos bebericando o uísque direto da garrafa. Agora acendíamos um cigarro atrás do outro. Não gostava de aborrecê-la com minhas raras histórias de coração partido, mas não conseguia evitar. Também não conseguia parar de olhar para o meu celular, não conseguia evitar… Novamente, ela o arrancou de minhas mãos.

-Então… Você não vai ligar para ela, não é mesmo? – perguntou.

-Não… E também não vou dormir com você! – disse.

Ela deu uma pequena gargalhada.

-Você está há uma hora falando de outra mulher. Acredite…. Toda a vontade de dormir com você já passou!

Sorri verdadeiramente. Não poderia ser mais patético naquele momento. Tinha me especializado em levar garotas para a cama, mas aparentemente tinha me tornado um expert em fazê-las perder a vontade agora.

-O que eu faço? – perguntei pra ela.

-Ligue ou esqueça! – disse ela, apontando para o meu celular.

Eu sabia o que significava aquilo. Excluir do Facebook, do WhatsApp, apagar o número…

-Tudo bem! – disse para ela.

Abri o perfil da minha mulher amada. Me lembrei de tudo que me tinha sido dito nas últimas horas.

Amigos>>Desfazer amizade?

-Pode apertar esse botão pra mim? – perguntei.

-Não, não posso. Aperte você mesmo. Seja adulto e lide com os seus problemas. – ela disse – Você não quer fazer isso. Não acho que vá ter coragem para fazer.

Eu apertei o botão. Senti algo como uma lâmina passando por meu coração. Já tinha me arrependido. Continuei lá. Apaguei o contato do telefone, Twitter, Instagram. Quando cheguei ao WhatsApp, simplesmente paralisei. Aquela era nossa última forma de contato. Olhei para a garota, ela olhou pra mim.

-Está esperando uma mensagem dela, não está? – perguntou.

-Estou. – respondi (e repito: há dois meses atrás não esperaria) – E se ela realmente me amar?

-Presta atenção…. Se realmente for amor não vai ser isso que vai impedir vocês, não é mesmo?

-Eu sei, mas…

-Faça! – disse ela.

Bloqueei.

Ali estava eu. Sem a mulher que tanto amei. Apagando-a de minha vida contra minha vontade, sem deixar de amá-la. Quando menos vi, senti uma lágrima cair de meus olhos. Corri para o banheiro e me olhei no espelho. O que diabos havia acontecido comigo? Os “adeus” sempre tinham sido tão fáceis, porque aquele era tão difícil?

A verdade é que eu realmente a amei e realmente pensei que minha busca estava acabada. AQUELA ERA MINHA MULHER e não tive a menor dúvida disso. Contra minha vontade, apaguei-a. Contra minha vontade, parei de chorar (tudo o que eu queria fazer era chorar) apenas para me sentir um pouco menos ridículo. Sequei minhas lágrimas e voltei para o quarto, ainda de olhos vermelhos.

Apanhei minhas roupas do chão, agradeci a garota por ao menos me ouvir. Fui embora, agradecendo por não haver ninguém entre mim e a saída. Tudo o que eu precisava era ser ouvido. Não me sentia bem, longe disso. Me sentia de coração verdadeiramente partido. Meu coração havia sido entregue duas vezes em minha vida. De fato, poucas vezes na minha vida havia me sentido tão mal.

Não queria outro alguém. Dois meses atrás minha solução teria sido transar com tantas garotas quantas eu conseguisse, mas algo dentro de mim havia mudado. Tinha aprendido minha lição: me sentia usado como tantas vezes teria usado outros corações.

Coloquei a mão no peito, acendi um cigarro e comecei a caminhar para casa. Ainda ficaria de coração partido. Por quanto tempo? Dias? Semanas? Meses? Poderia ficar de coração partido por anos como tinha acabado de parar de ficar? Não sabia… Sabia que doía e que doeria por algum tempo. Agora, eu tinha que voltar para casa e ajuntar aqueles adoráveis fios de cabelo do chão. Quando cheguei, imediatamente olhei para a gaveta dela. Nunca antes havia aberto uma gaveta para qualquer outra mulher em minha casa. O que ela tinha deixado lá? UMA CALCINHA. Parece piada, mas aquilo partiu ainda mais o meu coração. Fechei a gaveta e deixei para jogá-la fora amanhã.

Apanhei o notebook. Comecei a escrever. Não fazia meu coração ficar menos partido, mas ao menos escrever conteve minhas lágrimas. Bem, a vontade dela estava feita. Eu a amava, AINDA. Essa é a pior parte. Mas não havia nenhum atalho. Ela tinha tomado a decisão dela. Eu apenas a acompanhei, contra todas as minhas vontades, desejos e até mesmo amor. Não tinha desistido de amá-la. Se tivesse, não precisaria cortar todos os meios de contato. Sabia que ela gostaria de me iludir por mais um dia. Preferi esperar esquecer. Veja bem, eu não faço o tipinho “iludido”.

Um pouco antes de terminar de escrever olhei para minha escrivaninha. Ali, uma carta que eu tinha escrito na noite anterior. Quase DEZ PÁGINAS. Levei a carta a janela. Ali, todas as minhas admissões, pedidos de perdão e confissões. Com o mesmo isqueiro que acendi meu último cigarro da noite, botei fogo nela. Caiu mais uma lágrima de meu rosto. Optei por sentir a dor. Não fingiria que não sentia. Não fingiria que não amei uma mulher que me negou o amor. Não fingiria que meu coração não estivesse em cacos pela primeira vez em muitos anos.

Estava de coração partido, paciência. Eu merecia aquilo. Mas quanto ao amor…. Nunca desistiria dele. Se o amor dela não tinha sido real, o meu tinha. Estava tremendamente bêbado, mas não tinha traído a mim mesmo. Não tinha ido pra cama com ninguém. Iria, em algum dia desses quando meu coração não sentisse tanto a falta dela. Naquele dia, me concentrei apenas em estar de coração partido e escrever.

Disse “adeus” para ela de dentro do meu coração.

Esperava que não fosse um “adeus”.

Ao mesmo tempo, esperava que fosse. Todo mundo fala do quanto é cruel um homem despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la. Ninguém fala nada quando uma mulher come o coração de um homem vivo.

A única coisa que sabia é que tinha amado de novo depois de tantos anos. Mesmo que talvez não tenha sido amado de volta, eu ainda era capaz, entende? E se algo era capaz de me machucar…. Eu me ergueria novamente. E me sentaria novamente com os deuses para amar de novo quando minha hora chegasse. E seria verdadeiro. Da minha parte e dela (seja lá quem for). Mães, não tranquem as suas filhas. Agora, eu quero amor de verdade.

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