Você só se assusta quando não está tão a fim assim…

3545345O compromisso tem lá o seu lado aterrorizante, mas quando a gente está realmente a fim a gente releva. Releva, pois estar apaixonado significa achar engraçadas todas aquelas coisas que antes nos apavoravam.

Lembro de uma história que aconteceu comigo há um pouco mais de um ano atrás. Eu tinha recentemente me afastado das festas e das pessoas com quem eu andava até então. Passava bastante tempo nos bares da cidade, mas costumava chegar em casa cedo. Pra economizar uma graninha (a conta do bar estava maior do que eu esperava), comecei a beber em casa. E nesse tempo eu conheci uma garota.

Era uma garota bem legal, engraçada ao seu próprio modo e passava mais ou menos pelo que eu estava passando. Duas pessoas do sexo oposto em situações comuns costumam se apegar umas nas outras. Não nos víamos com tanta frequência, mas conversávamos bastante. Eu nunca escondi que era horrível em relacionamentos, tendendo a fazer sempre a coisa errada. Ela, pelo contrário, dizia que era muito boa na arte do amor.

Pois bem, em uma noite como tantas outras resolvi chamá-la para que tomássemos um vinho e jogássemos conversa fora. Ela me disse que ficaria tarde para voltar para casa e pediu se tinha eu tinha algum problema em passar a noite. Eu realmente tinha algum tipo de carinho pela garota, então simplesmente disse: “Tudo bem”.

Bebemos duas garrafas de vinho naquela noite. Conversamos sobre livros, filmes e todas as coisas que tínhamos em comum. Porém, algo me incomodava. Ela tinha trazido consigo uma pequena mala de mão. Ela tinha trazido consigo uma toalha, uma camiseta daquelas surradas que a gente usa para dormir, escova de dentes, shampoo e sabonete e – o pior de tudo – um par de pantufas.

Me lembro do quanto eu fiquei aterrorizado quando acordei pela manhã com uma ressaca danada e a vi usando suas pantufas e escovando os dentes em meu banheiro. Eu fiquei realmente apavorado. Quero dizer… Havia algo estranhamente familiar ali. E estranhamente familiar é bom, mas só quando a gente está a fim de verdade.

Não toquei no assunto. Almoçamos juntos e então ela foi embora. Continuamos conversando, um pouquinho menos do que antes. Mas nunca mais a chamei para passar a noite, com medo que ela trouxesse a mesma mala cheia de coisas (ou quem sabe até uma mala maior). Mas o grande ponto dessa história é que a garota não fez nada para me apavorar… Pode ser estranho levar uma mala para a casa de alguém ao invés de simplesmente carregar o essencial na bolsa, mas não era um motivo grande o suficiente para eu me apavorar.

E eu me apavorei, porque no fundo eu não estava tão a fim.

Nem tão recentemente assim eu conheci outra garota. E dessa vez eu estava tão a fim quanto achava que deveria estar.

E logo estávamos passando os fins de semana juntos. A garota trazia suas coisas para minha casa, mas as levava de volta. Devagar, eu comecei a sentir falta de ter as coisas dela por aí – só pra matar a saudade quando ela não estivesse. Compramos pantufas, toalhas e escovas de dente combinando – algo muito mais apavorante do que simplesmente carregar uma bolsa de mão para passar a noite.

Mas eu estava tão a fim…

E por estar tão a fim, as coisas que antes me apavorariam me pareceram agradáveis e até mesmo engraçadas. Gostava de ter as coisas dela por perto. Gostava do cheiro dela na minha cama. Gostava até mesmo de quando ela esquecia um brinco ou um anel na minha casa. Simplesmente parecia certo ter as coisas dela por aí, sabe?

O compromisso é apavorante, mas quando a gente está mesmo a fim a gente não liga tanto pra isso. Apegar-se vira uma coisa natural, assim como a saudade. Você não tem pressa para ficar sozinho. Pelo contrário: vai fazer de tudo para que ela fique cinco minutinhos a mais com você. Não importa se ela estiver carregando uma bolsa de mão ou quatro sacolas cheias de coisas… Quando você está mesmo a fim, você não liga pra isso.

E você agradecerá a tudo o que existe no universo quando encontrar uma das pantufas dela no chão do seu quarto e por um segundo achar que ela está no banheiro e já está voltando pra você, mesmo que ela não esteja. Aquele segundo faz tudo valer a pena.

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