O fetiche da normalidade inexistente – Seja você, seja excepcional

normalidade

Em algum ponto da vida, tu certamente tentou encaixar-se. Você já deve ter tentado ser normal algum dia – ou talvez ainda esteja tentando. Eu lamento lhe informar, se você ainda estiver tentando, mas essa é uma batalha que você jamais vencerá.

Os outros – que são como eu ou parecidos comigo – começaram engatinhando e só depois aprenderam a andar. Invejo-os, pois queria ter tido tal chance. A primeira coisa da qual me lembro é de “correr”. Não tive tempo para engatinhar e dar meus passos desajeitados, enquanto acostumava meu frágil corpo com a terra e a gravidade. Tudo o que fiz foi abrir meus olhos e começar a correr. Corri sem bússola e sem uma direção definida, como se eu estivesse fugindo de um fantasma. O que ninguém sabia – dentro todos os tantos que me viram correndo – é que eu não tinha medo de fantasma algum. Eu tinha medo de ficar ali parado, como eles. Tinha medo de ser “normal”, como diziam ser eles.

Em certo ponto, percebi que tinha gasto toda a minha energia e todo o meu tempo tentando ser como eles. Tentava enxergar o mundo com os olhos deles, com aqueles olhos “normais”. Desisti de vestir seus olhos, mas talvez eu ainda pudesse ser como eles. Então passei a ficar em frente ao espelho, tentando agir como eles, tentando soar como eles. Todo esse tempo eu passei brincando de tentar entendê-los, de tentar ser tão normal quanto eles disseram que eram.

Mas eu não me sentia confortável tentando me parecer com eles. Não queria ver o mundo com seus olhos e nem queria o sangue de barata deles correndo em minhas veias. Encontrei um tesouro, quando passei a olhar o mundo somente com os meus olhos. Quando eu queria correr, eu corria. Quando eu queria ficar parado, eu ficava.

E eu olho para eles hoje em dia e me pergunto: “Como vocês se sentem sendo iguais a todo mundo?”. Penso no tamanho da cruz que eles carregam e também no tamanho da minha. Não tentava mais ser como eles. Tentava ser tão somente eu mesmo. Neguei-me o direito de querer parecer com ele. Neguei também a normalidade, uma vez que percebi que você não pode realmente ser “normal”. Tudo o que você pode fazer é “parecer normal”. E você encena todos os seus movimentos como se estivesse em uma peça de teatro, tentando se portar como todos os outros que tentam se portar da maneira que algum dia lhe disseram que eles deveria se portar, simplesmente porque alguém tinha se portado de tal maneira antes.

Eu falhei nessa brincadeira toda de tentar ser normal. Não fui aprovado para estrelar essa peça de teatro, mas talvez você tenha sido. Se não foi, talvez conheça alguém que tenha conseguido. Talvez você ande por aí sem utilizar suas próprias pernas, olhe para o mundo com olhos que não são seus. Talvez você tenha conseguido se tornar um espelho. E eu lhe pergunto, então, como você se sente? Como se sentem os normais?

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