A analogia das tartarugas que se escondem em seus cascos

Fui pego de surpresa ao abrir minha caixa de e-mail quando vi uma mensagem de um leitor pedindo se eu poderia lhe passar o link para esse texto, que havia sido escrito no comecinho do blog. Fui pego de surpresa não por alguém ter me pedido um link antigo, mas sim por eu não fazer a menor ideia de qual texto ele estava falando: (“Texto sobre tartarugas? Tem certeza que fui eu que escrevi? Bem, deixe-me pensar”). Fiquei surpreso ao encontrar o dito texto sobre as tartarugas e mais surpreso ainda por interpretá-lo de outra forma, indo além daquilo que eu tinha escrito há alguns anos.

Ao perguntar para o leitor o que ele queria com aquele texto que já tinha inclusive feito seus aniversários, ele me respondeu: “Acho que finalmente entendi o que você quis dizer com aquilo”. Aparentemente, nem eu mesmo me lembrava do tal texto – mas ele esteve presente como uma espécie de enigma para esse leitor durante um bom período de tempo. Fiquei feliz por ter esse reconhecimento e resolvi repostar o texto aqui e espero que façam um bom proveito do conteúdo. Essa é a primeira vez que faço o repost de um texto aqui no blog, mas creio que realmente é interessante para aqueles que nunca o leram (quando ele foi escrito, o blog recebia apenas algumas dezenas de visitantes por dia) quanto para aqueles que já o leram na época e desejam ter uma nova interpretação sobre ele.

Sem mais delongas, segue o texto abaixo. Quem já acessa o blog sabe que eu não costumo corrigir os pequenos erros que acabam aparecendo no texto (apesar de percebê-los). Enfim, espero que aproveitem:

analogia dos cascos de tartaruga texto anderson

Não, você não é uma tartaruga. Esconder-se em um casco e torná-lo sua própria fortaleza impenetrável não vai te levar a lugar nenhum. A busca pela segurança e estabilidade pode acabar por recolher a sua cabeça ali para dentro para sempre. E é ali que morre quem você deve se tornar amanhã e tudo o que resta é quem você foi ontem. Quanto ao agora, não existe “presente” quando estamos tão assustados com o mundo lá fora para o enxergarmos com clareza.

Levante-se, vá até a janela mais próxima. Abra-a e respire. Esse mundo é seu! Você não está caminhando um caminho seguro, haverão pedras e espinhos pelo caminho. Torne-se forte o bastante para não precisar temê-los. Depois que tomas consciência dos perigos que existem em cada pequena ação que tomas, passa a se tornar um perigo para aquela sua parte que está trancada dentro do seu casco de tartaruga.

E sem aquela fúria indomável que reside em teu peito, você acabará se aprisionando dentro do seu casco. Construirá dois: um para ti e outra para aquilo que está dentro de ti, para ter certeza de que os está mantendo afastados. Mas a natureza é mesmo curiosa e fascinante, não é mesmo? Cedo ou tarde, alguém ficará curioso com o que há naqueles cascos e pode dar um pouquinho de luz para a escuridão do esconderijo.

E com um pouquinho de luz a tartaruga pode se tornar grande demais para o seu casco. Alcance o martelo, mas não quebre-a pelo outro. Deixe que o outro entenda o que é a liberdade. Tudo o que você pode fazer é olhar pela janela. Enquanto alguns se aprisionam outros pensam em maneira de criar asas. E criam dois pares de asas: um para si e outro para aquilo que vive dentro de cada um. Sim, os sentimentos também querem voar. Eles se encontrarão lá em cima.

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