Eu, o vira-lata

imbecilEnquanto vou dar uma voltinha por aí, paro e observo as pessoas. Acendo um cigarro e vou bebericando o café preto e sem açúcar: Amargo, como tudo ao meu redor. Observo as pessoas vivendo com pressa, como se elas realmente precisassem estar em dois lugares ao mesmo tempo, como se elas não pudessem parar para observarem as nuvens.

Passa um homem com alguns papeis embaixo do braço. Ele mexe no celular. Passa uma mulher andando ao lado do filho. Os dois mexem no celular. Passa uma garotinha de quinze anos com o uniforme da escola. Ela mexe no celular, enquanto dá gargalhadas.

Olho para um cão do outro lado da rua, provavelmente esperando que alguém lhe dê algo para comer, mas ninguém o vê. Ninguém enxerga nada, parecendo que sofreram todos algum tipo de lobotomia. Me aproximo do cão e ele, receoso, admite que eu fique perto dele. Mexo na sacolinha da padaria e divido meu pão de queijo com ele. E logo volto a observar as pessoas.

Digo para que não as observe pois tudo o que elas podem lhe proporcionar é a mais plena frustração. É como se todas elas estivessem procurando por algum deus, seja no lugar onde elas querem chegar com tanta pressa ou nas telas de seus celulares.

Eu, que nem me lembro de onde deveria estar. Eu, que nem lembro onde deixei meu celular.

Olho para o cão de rua. Um guerreiro, um lutador. Me vejo mais nele do que em todas aquelas pessoas.

Anúncios

ComentAnderson

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s