Isso nunca mais deve acontecer (e aconteceu de novo)

34534535

Eles se olharam com olhares de grandiosidade, escolhendo delicadamente as palavras como se suas vidas dependessem disso. Ambos estavam semi-nus no quarto dela depois de terem negado a si próprios a abertura de uma garrafa de vinho. Não, aquela era uma conversa que eles gostariam de ter sóbrios. Haviam feito sexo para garantir que não interromperiam a discussão para atender aos chamados do prazer libidinoso que encontraram nos braços um do outro.

Evitavam o olho no olho, mas não diziam palavra alguma. Procuravam-nas, mas sem sucesso. Ela decidiu que simplesmente devia utilizar a razão e deixar todo o resto de lado. Iniciou:

-Sou tão jovem para isso! Gostaria de viajar e não viajo. Gostaria de iniciar a academia, mas sempre me matriculo e acabo não frequentando-a pois a mesa de bar contigo é muito mais tentadora. Queria fazer tanta coisa e tudo o que faço é você.

Ele assentiu com a cabeça, arrependido de ter recusado a garrafa de vinho que ela oferecera anteriormente. Tornaria tudo aquilo mais fácil e leve.

-Sou jovem demais para isso tudo também! Queria voltar a jogar futebol aos fins de semana, mas não resisto em passar todo e qualquer fim de semana que eu tiver contigo. Queria trabalhar em um projeto particular, virar empreendedor, mas gasto todo o meu tempo contigo. Céus, precisamos terminar com isso.

-Sim! – ela respondeu de bate-pronto – Isso nunca poderá acontecer de novo!

-Exatamente! – insistiu ele, enquanto convencia-se a si mesmo de que aquela era a decisão certa – Se fizermos isso de novo, fica ainda mais difícil de realizarmos tudo aquilo que desejamos na vida!

-Tudo bem! – disse ela então, dessa vez arrependendo-se novamente por não ter aberto a maldita garrafa de vinho.

-Então, nós concordamos? Isso nunca mais vai acontecer? – perguntou ele.

-Concordamos! – respondeu ela – Tudo é muito exaustivo e faz com que deixemos todo o resto de lado.

Ambos se levantaram e ela estendeu a mão para ele:

-Amigos? – perguntou.

-Amigos! – ele respondeu.

Apertaram as mãos.

-Um beijo de despedida? – perguntou ele.

-Melhor não… – ela respondeu – Que tal um abraço de despedida?

-Perfeito! – disse ele.

Então se abraçaram, com seus corpos semi-nus se encontrando naquele quarto bagunçado e suas bocas arrependidas de não terem tomado aquele vinho. O peito dele tocava os seis dela, enquanto as mãos dela passavam pelos fios da barba dele. As mãos dele foram então em encontro ao fecho do sutiã dela e delicadamente o mesmo fora rompido com a facilidade absurda da qual ambos sempre desfrutaram. Certo é que naquele momento, num rito de sinceridade silenciosa, ambos pensavam a mesma coisa: PUTA QUE PARIU, VAI ACONTECER DE NOVO.

Anúncios

ComentAnderson

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s