Eu, aos teus pés, não lhe imploro

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Eu, aqui de joelhos, me vejo novamente jogado aos teus pés, como estivera desde antes do meu nascimento. Desta vez, entretanto, não lhe imploro nada. Me lanço aos teus pés pois assim é a minha própria natureza. Desta vez, entretanto, diferente do que foram tantas outras vezes, não coloco nenhuma palavra em tua boca. Calo-me, mas não calo a ti. Tuas palavras tem vida, teu silêncio tem a morte.

Sereis o que bens entender, pois já lhe fui tantos “ois” que posso muito bem lhe ser um “adeus”. Dissestes que tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas, assaltando Saint Exupéry, mas as palavras dele não são tuas. E se só tens silêncio e monossilabismo, não entendeu em nenhum momento do que tratava o autor.

Pouco me resta ao estar aos teus pés, pois tudo o que há é a presença; presença distante diante de uma incapacidade mútua de ceder ao orgulho; de joelhos tento desaprender a chorar por ti, pois se desistes  desistes também das minhas lágrimas; do mesmo modo desiste dos sorrisos; do tempo; do sonho; desistes de tudo e reafirmas que sou teu único plano; continuo plano, imóvel; aquele que se foi que encontre o caminho de volta, pois continuo de joelhos perante ti; mas se tu fostes embora e eu permaneço de joelho não me levantarei para correr, como fizera tantas outras vezes; nem dou adeus; nem o recebo.

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