Por que você corre atrás do que não lhe faz bem?

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Vá até o espelho mais próximo e olhe bem para você. Não digo para olhar apenas para a sua aparência, mas sim para olhar para o seu verdadeiro eu que se esconde atrás das suas formas e expressões. Como você tem cuidado de você mesmo? Que tipo de sentimentos tem cultivado em teu íntimo?

Nossas vidas amorosas tendem a ser caóticas de vez em quando, pois se sempre estivéssemos serenos poderíamos ser chamados de qualquer coisa, menos de “humanos”. Os seres humanos tem a tendência de complicar e problematizar tudo em que eles botam os olhos. Eu já fiz isso e você certamente já o fez. Insistimos em um relacionamento fadado ao fracasso dizendo que “amar é difícil” e que “o sofrimento vale a pena”.

Não deveríamos.

Se amar é difícil, não estamos falando de amor.  Se lhe faz sofrer intencionalmente, não estamos falando de amor. O amor é foda (é bom, mas é foda), mas ele é incendiado com respeito, carinho, compreensão, paciência. Quando nos deparamos com um relacionamento onde tais condições são opostas, nosso reflexo natural é o de reconhecer que aquilo não irá funcionar, mas mesmo assim parecemos insistir com uma infantilidade absurda em determinados relacionamentos que não nos satisfazem.

Nem de longe procuro dizer aqui que você deve “chutar o pau da barraca” assim que as coisas apertarem (repito: o amor é foda), mas o que quero dizer é que você deveria reavaliar se realmente o que tu sentes é amor. Quem ama confia mesmo quando está morrendo de ciúmes. Quem ama respeita mesmo nas situações onde não é respeitado. Quem ama não agride mesmo nas situações fora de controle. O nome disso não é amor. É apego.

O amor e o apego estão diretamente relacionados, de modo que costumamos nos apegar a quem amamos e a quem acreditamos amar. Nem sempre amamos de verdade e está tudo bem com isso. Por vezes, temos uma paixão e quando a chama da paixão acaba tudo o que resta é o apego por aquela pessoa que você acreditou amar. Quem ama, não para de amar.

Essa tendência de insistirmos no que nos faz sofrer é uma autoflagelação regada à ausência de amor próprio. Quando você ama, você quer o melhor pra outra pessoa, muitas vezes tendo que engolir seu orgulho tão somente para fazer bem à ela. Quando você se ama, você não permite que o caos o domine e o convide para dançar. Quando você se ama, daí sim você sabe o que é o amor, e sabes que ele não irá lhe fazer mal.

Se você está em um relacionamento com alguém que lhe faz sofrer ou se você faz sofrer a pessoa com quem você se relaciona, se afaste imediatamente. Isso não é amor, é só confusão trasvestida de amor. E se as duas partes do relacionamento fazem ambos sofrerem, o que diabos vocês ainda estão fazendo juntos? Essa mania de romantizar o sofrimento de uma maneira shakespeariana pode ser qualquer coisa, mas não pode ser amor.

De amor, nunca podemos ter o suficiente – mas quando o assunto é dor, devemos respeitar nossos próprios limites e os limites alheios.

 

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