Permita que eu me apresente

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Permita que eu me apresente, mas não como tu vês. Permita-me sem teus julgamentos. Não olhe para os meus olhos, para os meus lábios ou para as minhas mãos como armas, mas sim como instrumentos e extensões de minha alma. Permita que eu lhe mostre, enquanto olhas nos meus olhos, que meu destino só pertence a mim. Você consegue ver? Consegue ver através de mim?

Me leia sem as suas canções prediletas, sem seus livros favoritos, sem a impressão que tu tens de mim. Me veja como eu me apresento, recheado de virtudes e defeitos e aí entenderá que na verdade nunca seremos dois, pois todos somos um, complementados por infinitas partes que habitam o universo.

Não olhe por onde já pisei nem quantos lábios e corpos já beijei. Olhe tão somente para mim, pois eu sou o único espelho no qual podes olhar para ti mesma. Olhe através de mim e enxergará a ti própria, como se cumprimentasse uma velha amiga que não existe mais em nenhum lugar que não seja dentro de ti. Permita-me. Permita que eu me apresente. Do mesmo jeito, permita-se. Permita-se a tudo.

Se me vês como uma gaiola, não me vês realmente, pois não aprisiono. Se me vês como um assento, não me vês realmente, pois não sirvo apenas para o teu conforto. Não sou fila, nem sala, nem cozinha. Permita-me. Permita-me, que me apresentarei a ti em minha mais única forma.

Não me vejas pela minha forma, nem pela minha aparência. Tu só me vês quando fecha bem os olhos e me encontras em teu coração. Nunca estive em nenhum outro lugar que não fosse ali, por mais que estivesse por toda a parte. Vejas, enquanto declaro que existo ali. Veja-me enquanto olhas para a tua própria alma. Veja que não há distinção entre almas, ainda que estas sejam singulares.

Permita que eu lhe confunda, pois só assim me apresentarei. Permita que desaparecemos quando olhamos em nossos olhos, pois sempre foi na ausência que nos conhecemos intimamente e nunca na presença. É na solidão que temos aquele raro encontro com nós mesmos e somente ali reconhecemos a presença. Permita que eu lhe surpreenda, pois eu permito que tu me surpreendas. Por onde olhamos durante todo esse tempo? Talvez estivéssemos ocupados demais para olhar para dentro de nós mesmos e encontrarmos a vaga um do outro ali.

Permita que eu me apresente, pois quando eu verdadeiramente me conhecer, sussurrarei em teu ouvido tudo o que sou. Tudo o que sou pro mundo, tudo o que sou pro teu coração. Vamos caminhando e permitindo, pois a verdadeira negação a Deus só acontece quando negamos a nós mesmos. Permita que eu me apresente e não consideres minha apresentação uma ofensa, pois se minha presença lhe ofende, tu não a sentes verdadeiramente.

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