Eu & o meu jeito de ser

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Meu jeito de ser.

Este aqui, que levo comigo. A primeira coisa que as pessoas veem quando botam os olhos em mim.

Esse meu jeito de ser, tão pueril e inocente – através do qual simplesmente ajo, como se dançasse sozinho no quarto quando ninguém mais está vendo.

Meu jeito de ser, que como partira tantos outros, acabara partindo seu coração. Meu jeito de ser que mantém meu coração inteiro, mesmo quando ele é apunhalado e golpeado com um martelo velho que roubei da garagem de seu pai.

Meu jeito de ser, que não consigo explicar, só consigo “ser”.

Não sou nem deixo de ser, simplesmente estou ou não estou. Consegues ver-me? Consegues ler-me nas entrelinhas? Sou para ti um livro completo ou um dicionário? Uma obra prima ou apenas um artigo de uma revista? Sei o quanto pensas sobre ele, talvez tanto quanto eu mesmo penso. Para onde irás meu jeito quando tu não estiveres olhando concentradamente?

Meu jeito de ser, a ferro e fogo. Jeito de existir, de caminhar, de sentir e de não-sentir. Você não lerá sobre meu jeito em nenhum de meus textos, embora eu talvez possa escrever sobre ele em um guardanapo de bar e lançá-lo ao fogo pela manhã. Já escrevi em tantos guardanapos que poderia eu mesmo abrir um restaurante. Todos no meu bolso. Sempre levo-os comigo, quase como se fizessem parte de mim.

Meu jeito de ser é como uma garrafa da sua bebida predileta. Deves apreciá-lo com moderação, para que possas evitar a ressaca. Mesmo assim, embebede-se dele e não misture-o com outras bebidas, pois estarei lá, com todo o meu jeito de ser, para dar-lhe um analgésico. Fomentas em mim o teu jeito de ser e não aquilo que queres ser, pois bebidas falsificadas só me interessam na alta madrugada. Beberei sem ler o rótulo, apenas para sentir a ressaca solitária do outro dia.

Você não me vês quando eu lhe digo quem sou e muito menos pode forjar-me. Sou forjado pelas entrelinhas, como um alimento que deve ser comido pelas beiradas. Se esbaldar-se, irá ganhar peso.

Não sou um cinto de segurança, sou um carro em alta velocidade, que mais se pareces com um acidente de trem. Dizes que se esqueces, mas sempre lembra-se de tudo. Lembra-se do meu jeito, que de vez em quando tornas-se tu, pois como não consegues entendê-lo, passa a tentar imitá-lo. A questão é que não podes imitar meu jeito, do mesmo modo que não podes imitar jeito algum de qualquer pessoa que já vivera.

Venha ver os relâmpagos que criei para ti. Venhas ver também os prédios que derrubei e os incêndios que criei em tua homenagem. Venha ver o meu trono, o meu cajado e as minhas ovelhas. Aprecie que a destruição por vezes não tem a intenção de destruir, mas sim de criar algo novo. Destruiria mil e um mundos para que pudesses me ver, longe de teus julgamentos e manobras. Não camuflo a verdade, nem me escondo atrás dela. Simplesmente estou, ou não estou. De alguma forma dentro de você, de outra tão distante. Queime quem eu pensei que um dia era e lhe seguirei por toda a minha vida, apenas com meu jeito de ser, que se transformas em todos os dias nos quais vivo. Mas não tentes me queimar dentro de ti, pois o fogo que tentares usar para me destruir só irá provocar danos em ti própria. Vejas-me como o sangue que corre em tuas veias, pois é esse meu jeito de ser. Veja o sangue fervendo, sinta-o. Daí sim, poderás me sentir. Daí sim, poderás me compreender.

Eu e meu jeito de ser.

Eu e o meu jeito de não ser.

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