Nesse estranho planetinha azul cheio de verde

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Acho que eu fugi do hospício quando saí da barriga de minha mãe. Acho que me deitei em um mundo de falsos sãos e faltos santos, vertiginosos e perdidos em seus próprios pensamentos, sedentos pelo encontro de um defeito alheio na esperança que apontar os erros dos outros possa de alguma forma amenizar todos os seus.

É um mundo belo, com constelações lá em cima. É um universo composto por uma única alma, mas as pessoas parecem não reconhece-la nelas mesmas. Elas não se perdoam, mas não hesitam ao encontrar justificativas para isso. Ninguém erra e todo mundo alterna em um pêndulo entre uma inabalável felicidade e uma tristeza compulsiva.

Nesse mundo, no qual eu cheguei há 23 anos atrás, tudo o que as pessoas fazem é mentir. Mentem sobre o que sentem, desfilando com venenos e orgulhosos de um falso orgulho. Penso que seria um mundo melhor sem as pessoas. Os animais simplesmente desfilariam e seguiriam sua própria natureza. Exceto se a natureza humana for de fato a mentira e a falsidade (o que não creio), somos os únicos animais que não seguem sua própria natureza em todo o planeta (e talvez até no universo inteiro).

Acho que fugi do hospício. O louco devo ser eu, não todos os outros.

É um estranho planetinha azul. Por si só, é belo e apreciável. Por si só, é o suficiente. Mas eles, aqueles que não são loucos, insistem em destruí-lo. É como se tivéssemos um botão vermelho que nos ilumina e faz com que paremos de destruir o planetinha azul, mas nenhum homem ou mulher viva que nele habita parece ter a intenção de apertá-lo. Se eu digo que quero apertar o botão vermelho para que o mundo pudesse girar bela e perfeitamente, me respondem que “não há botão vermelho algum”.

Onde foi que esconderam o botão vermelho?

Talvez ele esteja em nossos peitos, mas não nos basta apertá-lo para que tudo se resolva. Todos, enquanto unidade, deveríamos apertar individualmente nossos botõezinhos vermelhos. Mas ninguém o faz. É difícil ser louco em um mundo de falsos sãos e falsos santos.

Mensalmente, alguém diz que o planetinha azul irá acabar, como se ele pudesse sumir de uma hora para a outra. Mas não vai. Quem irá acabar seremos nós. O planetinha então ficará mais feliz: Mais azul, mais verde.

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