Autorretratos depressivos e as pílulas que tu sequer consomes

messed up

Flertamos com o abismo do vazio torcendo para que criemos asas quando nos lançarmos lá do alto do mesmo modo que flertamos com as nervosas águas da depressão torcendo para que sejamos bons nadadores, capazes de enfrentar até mesmo o marasmo da praia e um ninho de tubarões. Amaldiçoamos todos nossos salvadores quando descobrimos que na verdade eles não podem nos salvar, nem nos afastar das bebidas, cigarros e das lâminas. Torcemos para que eles sejam reais e que apareçam subitamente para nos resgatarem, mas descobrimos uma nefasta verdade que nos afasta dos mitos e nos apoia no aqui e agora: A única forma pela qual um ser humano pode se salvar é se ele salvar a si mesmo. 

Você tem sonhado? Com os abismos? Com as águas? Com as lâminas? Tens sonhado com saltar do alto de prédios enquanto houve uma música relaxante, como se assim pudesse ter algum breve momento de rendição em meio ao fim. Pensas em desistir com tanta frequência que insistir parece uma opção estúpida e redundante. O mundo pega fogo e tua alma torna-se ainda mais negra, mas você não se preocupa. Apenas ajuda a incendiar ainda mais o planeta, renegando-se perante a si mesmo. Chora lágrimas de contentamento. Dá sorrisos de desistência. Beija o fracasso e a morte nos lábios, visto que eles podem ser tão sedutores quanto o próprio desconhecido.

Mesmo assim, algo impede que caias no chão. Talvez seja a dúvida: Realmente você tem asas que podem salvar-lhe do abismo e dos penhascos? És um nadador capaz de enfrentar a fúria de uma mar recheado de tubarões? Podes lidar com tudo quando até mesmo os espinhos das rosas lhe provocam uma dor interminável? Você vê… Você quer desistir, mas desiste até mesmo de existir, quando é tomado por uma energia infundada e uma crença de que o amanhã será melhor. Bem, o amanhã continuará igual, exceto que tu faças algo para realmente transformá-lo. Não aposte tuas fichas nos anjos, nem nos deuses, nem nos teus amores perdidos. Aposte todas as suas fichas em ti, pois teu único salvador é você mesmo e como tem lidado e cuidado de si mesmo. Apenas uma mudança de percepção pode salvar-lhe.

Tudo bem, estamos sendo segurados por algo… Algo que não nos permite que nos lancemos no abismo ou nas águas cheias de tubarões. Algo que nos faz aguentar os ferimentos dos espinhos da rosa. Algo que desconhecemos, talvez numa pura ingenuidade da alma sofrida. Simplesmente nos mantemos ali, mas não fazemos nada a respeito, como se existir fosse mais importante do que viver. Viraremos poeira. Viraremos cinzas. Retornaremos ao nada do qual viemos.

Não há Deus. Não há diabo. Não há nenhum anjo. Não há demônio algum. Os tubarões lhe devorarão se não morrer afogado. A queda do abismo irá lhe matar. O espinho da rosa irá ferir suas mãos, por mais que a beleza da rosa pareça fazê-lo valer a pena. Você está enganado sobre tudo, vez que apostaste naquilo que lhe disseram e em tua percepção do mundo. Questione-se e verás o quão enganado tu estás. Não foram os outros, nem a televisão, nem as revistas triviais que você lê na sala de recepção do seu dentista: O único responsável é tu mesmo. Enganaste a ti mesmo e agora paga o preço em árduas prestações.

Não permita que carregue o peso. Livre-se dele, pois ele lhe puxa para baixo: Lá para o abismo, lá para as águas. Solte-o. Solte-o imediatamente ou veja-se em plena decadência pelo simples preciosismo. Desista de ti e o peso lhe afundará em plena terra, quase como se estivesse cavando uma cova rasa para ti mesmo. Insista e finalmente será capaz de largar o peso que lhe provoca dor nas costas. Deixe que ele caia sozinho e que cave sua própria cova. Quando se deparar com uma cova aberta, nunca deite-se nela.

O chão sempre esteve esperando para lhe engolir.

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