Ame alguém – mas nunca ame o “outro”

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Se é que meus conselhos possam lhe valer de grande coisa, eu gostaria de dar-lhe um. Gostaria de encarecidamente dar-lhe um dos mais simples e vitais conselhos para que tu não enlouqueças: Não confie, não se entregue. Quando tu te entregas, tu fica mais fraco. Quando tu confias, tu torna o outro mais forte. Mas quando o outro realmente se importa? Por vezes, tudo o que o outro quer é botar-lhe de costas e se aproximar com a faca mais afiada que tu já vistes em tua vida.

Não, não confie no outro tanto assim.

Tampouco, entregue-se a ele.

Se fizer isso, estará se atirando aos leões ou a um ninho de cobras. Verá-se traído pela tua própria ingenuidade. Lamentará. Entrará em depressão e provavelmente irá se aproximar da mais completa loucura. Talvez até se arrependa e se martirize. Tornará a imagem do outro feia dentro de ti, de tanto que tua confiança e tua entrega foram traídas.

Mas não, não culpe o outro quando ele lhe trair. O outro é sempre o outro. O outro está cuidando do outro, ainda que ele estiver dizendo que estará cuidando de você. É por isso que ele se chama “o outro” – é por isso que ele diz que vocês não se tornarão um só. O outro é um lamento, um chororó, uma navalha afiada. O outro é aquele que te sufoca quando estais dormindo e então simplesmente lhe dá um bom dia. O outro não conversa sobre seus erros, não assume suas mentiras. O outro pensas tão somente no outro.

O outro não liga pra você, por mais que você acredite nisso.

Não, não confie no outro.

Não, em hipótese algum se entregue ao outro.

Encontre aquilo que não for o “outro”. Encontre alguém que não esteja disposto a se afastar. Encontre alguém que quando disser que estará ao teu lado, realmente esteja. Encontre alguém que, ainda que minta para você, lhe conte sobre suas mentiras sem que você ao menos tenha que perguntar, só porque esse alguém não quer mentir pra você assim sem mais nem menos. Encontre alguém que lhe ame tanto quanto esse alguém ama a si mesmo.

Encontre alguém que não seja o outro.

E em hipótese alguma seja o outro para alguém.

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2 comentários sobre “Ame alguém – mas nunca ame o “outro”

  1. Parece que às vezes quando pensamos “deep” entendemos que há sempre um outro para nós e em raros casos que somos o outro de alguém. E por mais que isso passe pelas nossas mãos, sem querer, repetimos a mesma cassete, com pessoas diferentes.

ComentAnderson

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