Dos demônios que dançam em minhas costas

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Em algum lugar dentro de mim, de alguma forma, eu vivo. Do lado de fora, talvez assim não pareça. Talvez pareça que a alma tenha ido pra longe e que logo começarão a aparecer os cabelos brancos, assim como a pela começará a ficar flácida, enquanto as rugas aparecem e eu me esqueço de onde botei minhas chaves. Pergunto-me se há alguma forma de me trazer de fora para dentro, quase como se encenasse a ressurreição de Cristo. Não encontro respostas em lugar algum. E não sou lá tão bom ator para interpretar Cristo, Buda ou Alá.

Decido olhar para dentro de mim, mas tudo o que eu vejo são nuvens negras. Seriam elas passageiras ou estariam elas ali para ficar e indicar uma interminável tempestade que duraria todas as quatro estações? Continuo sem respostas, mas com incontáveis perguntas. Olho então para o relógio e vejo que falta-me tempo. Buda dizia: “O problema é que ainda pensamos que temos tempo” (ou algo do tipo).

Só sei fazer a dança da chuva. Não sei trazer o sol de volta. Não sei criá-lo dentro de mim. Se o fizesse, seria um sol imperfeito – e por quais motivos os homens criam sóis imperfeitos? Só os fazem quando não estão prontos para olhar diretamente para o sol – sem óculos escuros, filmes de fotografia queimados ou lentes de contato. Quando foi que um homem conseguiu olhar para o sol sem queimar sua retina? Talvez se eu conseguisse o olhar por tempo o suficiente, conseguiria recriá-lo – mas as lágrimas da retina queimada não me permitiriam.

Demônios dançam em minhas costas.

Demônios dançam dentro de mim.

Rio com eles, talvez até aprecie um pouco de companhia. Nem mesmo preciso sair de casa.

Quando eu dormir essa noite, meus demônios irão me visitar para que não morram de fome. Eles se alimentam de mim, em carne e alma. Deixo que eles me devorem, como se eu fosse um homem que não ligasse para os mosquitos que sugam o seu sangue. Bebo mais um drinque, ou dois, ou três. Fumo mais um cigarro, ou dois ou três. Tudo se torna nebuloso. Sem sol, é sempre noite. E se sempre é noite, um homem não consegue mais sonhar.

Tem sido noites sem luares, sem vida, sem anjos da guarda. Sonos sem sonhos. Acordar babando no travesseiro sem ter sentido no corpo que tivesse dormido. Por mim, nem mesmo sairia da cama. Ficaria lá, deitado entre demônios sedentos e famintos. Assim eles ganham.

Olho para a janela.

Continua chovendo, ainda que não caia água do céu. Olho diretamente para o sol. Ele nunca esteve lá.

Que diabos está acontecendo?

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