No processo de me tornar adulto…

forever-young

Me pus a pensar nas diferentes fases de minha vida.

Me lembrei de quando tudo o que importava era perder a virgindade, me lembrei da primeira mulher que amei e do quanto durou perdê-la. Lembrei-me, em uma fração de segundo de quando eu, ainda muito novo, deixei a casa de meus pais e passei a procurar meu próprio caminho. Me lembrei da sensação daquele momento: Ainda irresponsável, eu tinha que dar um jeito no meu eu inconsequente e tornar-me um adulto.

Não, isso não aconteceu do dia para a noite. Continuei (e continuo) bastante inconsequente. Gosto de beber com frequência e não resisto ao meu cigarro de todos os dias. Crescer, talvez seja um pouco de todas essas coisas, não é? Você, quando se vê diante dessa necessidade, sente-se apavorado em deixar uma parte de você pra trás. Você se vê na necessidade de matar a criança interior e tornar-se um adulto.

Certamente não me tornei um adulto no clássico sentido da palavra. Não deixei de lado as coisas que me faziam flutuar, nem passei a traçar planos para casamento e filhos, mas vem aquelas preocupações do dia a dia, sabe? Você precisa de dinheiro pra pagar a conta do aluguel e de vez em quando vem aquelas preocupações sobre o imposto de renda. Que saudades daquelas épocas onde minha única prioridade era perder a minha virgindade ou a todo o custo fazer aquela mulher que um dia amei estar ao meu lado. Que saudades de ter tempo para as coisas que me tanto eram importantes. Enquanto escrevo essas palavras, me pego pensando: “Pois bem, mas há o imposto de renda”.

No processo de tornar-me um adulto clássico, decidi não tornar-me um. Quando somos crianças, queremos ser adultos. Quando adolescentes sonhamos com isso. Quando nos tornamos, entretanto, sentimos a falta de sermos tudo aquilo que fomos. Talvez eu não devesse ter aceitado aquele primeiro cigarro, aquele primeiro drinque ou ter saído do aconchegante lar dos meus pais com todas as contas pagas tão cedo. Mas bem, fazemos o que fazemos, não é? E tudo o que fazemos ou deixamos de fazer torna-se uma parte de nós.

Nem mais adulto, nem menos.

Talvez toda a questão de tornar-se um adulto decorra de tentar não tornar-se um. Você vê os que tiveram sucesso nessa empreitada, você vê seus rostos e seus olhos… Eles lhe parecem felizes?

Não, eles estão sempre com os rostos vermelhos e com os olhos tão cabisbaixos quanto suas cabeças.

Ainda assim, temos as nossas obrigações.

Passamos a ler a página de notícias todos os dias (e não esqueça do maldito Imposto de Renda). Mas somos o que somos.

Pode a criança que ainda vive de alguma forma dentro de nós tornar-se mais forte do que nossos desejos? Pode ela tornar-se mais forte do que o desejo de acumular riquezas? Pode ela tornar-se mais forte do que os planos que estamos velhos demais para botar em prática?

A vida adulta é balela.

Os felizes permanecem crianças.

E tornar-se adulto, no sentindo mais grosso da palavra, não significa matar a sua criança interior?

Cruzes! Eu desejo preservá-la. Torná-la maior do que o adulto que me tornei.

E dane-se o Imposto de Renda.

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