Quem é você?

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As pessoas chegam até mim, de uma forma ou de outra, ainda que eu prefira muito estar sozinho. Gosto de manter distância delas. Se elas ao menos soubessem que a distância é muito mais preciosa do que a presença, elas seriam abençoadas. Mesmo assim, as pessoas chegam até mim. Não fecho os olhos quando elas vem, quero vê-las. Quero saber o motivo que as traz até mim.

E elas vem…

Então, dentre uma cerveja e outra, dentre uma briga de bar e outra, dentre um pensamento sem nexo e outro, elas sentem-se íntimas. Não sei se é algo que eu faço ou algo dentro delas, mas as pessoas sempre sentem-se bastante íntimas de mim. Quero dizer para que elas deem o fora, mas a verdade é que eu gosto de me sentir íntimo delas também. Veja bem… Eu sempre gostei de manter a distância, mas isso não significa que eu as quero sempre longe. A distância, por vezes, não é tão preciosa. Certamente não quando ela é obrigatória. Só temos fetiche pela distância quando somos presentes… Quando nos querem.

Mas há esse simplório momento na presença. Dispensável. Descartável. Chame-o como quiser. Há esse momento quando as pessoas sentem-se próximas ou íntimas de mim nos quais elas me lançam aquela mesma pergunta de sempre: “Quem é você?”. Eu detesto quando me perguntam isso. Quero dizer… Eu sei quem eu sou, mas isso não significa que eu queira compartilhar minha essência por aí.

A pior parte é que essas perguntas costumam vir acompanhadas de outras tão nefastas quanto. As pessoas não se contentam no “Quem é você?”. Elas também perguntam “De onde você veio?” e “O que você faz pra viver?”. Elas querem saber como cheguei até onde cheguei. Enquanto desfilam suas perguntas destiladas de veneno, entretanto, tudo o que passa em meu sangue é o veneno. Eu me pergunto: “Tudo bem, mas quem diabos é você?”.

Digo, quando as pessoas perguntam quem somos, partimos do pressuposto de que elas devem saber quem elas são, não é mesmo? Mas elas não sabem. Elas só querem se encontrar perguntando quem eu sou. Talvez eu diga algo do tipo “Bem, eu sou um cara azul, e você?” e elas simplesmente respondam algo do tipo “Bem, eu também sou azul”. Não se trata de essências, apenas de uma impressão superficial que as pessoas querem ter… Não de mim, mas delas mesmas.

Não me pergunte quem eu sou.

Eu sou alguém que está indo para longe de todas as perguntas.

Eu sou alguém que está indo para perto das respostas.

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