Já fui de contar vantagem

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Já fui de contar vantagem, de aumentar histórias, inventar algumas outras. Já bebi e cuspi da mentira e já bebi e cuspi da verdade. A mentira, quando não refutada pela verdade, torna-se a própria verdade. Mas há algo dentro de você, enquanto você conta vantagem daquilo que fez (e daquilo que não fez), algo que desperta. É como se você perdesse um pouco mais de si mesmo, da inocência que tivera um dia.

Já fui de contar vantagem. Não ganhei absolutamente nada com isso. Talvez nem mesmo tenha perdido. Mas todo esse negócio de contar vantagem, distorcer e inventar uma coisinha e outra é um reflexo de que você está mais preocupado com o que as outras pessoas pensam que você é do que com quem você realmente é. E enquanto tu te desesperas pra tentar criar uma ‘persona‘ para ti mesmo, tu perdes o prazer de conhecer a ti próprio.

Já fui de contar vantagem. Quem de nós nunca o fez? Mas tudo o que há por trás da vantagem que tu conta é o silêncio, a frieza, o descaso para contigo mesmo e o excesso de preocupação com tua reputação. Já fui de contar vantagem, já fui de ouvir esse silêncio dentro de mim. Hoje, prefiro o próprio silêncio que sai da minha boca. Já fui de tudo isso. Hoje não sou mais.

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