Do meu passado e daquilo que eu fiz com ele

Acho que eu sempre vivi à beira de um colapso nervoso. Sempre gostei de mudar de cidade, de roupas, de mulheres, de famílias, de amigos, mas nunca de hábitos. Acho que de alguma forma eu sempre me vi como um cãozinho vira-lata que de vez em quando era adotado por alguém. Acima de tudo, eu questionava se algum dia eu seria verdadeiramente a pessoa que almejava ser.

Mas o que eu me lembro, é um pouco diferente.

Lembro que sempre que eu passava por maus bocados, eu dizia: “Bem, pelo menos quando tudo isso passar, eu não vou sentir a menor falta”. E acredite: Não faltaram maus bocados. Não faltaram brigas em bares. Não faltaram tapas na minha cara e copos de cerveja esparramados pelo chão. Nem mesmo o sexo chegou a faltar nas piores épocas, salvo os breves tempos de crise. Mas sempre faltou grana. Eu tinha facilidade para ganhar meus trocados, mas tinha ainda mais facilidade para gastá-los, o que me obrigava a correr atrás de dinheiro pra pagar minhas humildes despesas: Aluguel, cigarros e cerveja.

E lembro-me que eu repetia: “Eu nunca vou sentir falta disso quando isso passar”.

E sabe o que aconteceu hoje?

Passou. Tudo aquilo passou. E hoje eu sinto falta.

Lembro-me com nostalgia dos meus piores momentos. Guardo-os em uma caixinha dentro de mim mesmo, quase como se fosse possível vivê-los quando eu os visito e lembro deles. Lembro deles com saudades, com orgulho. Sinto falta daquela pessoa que caçava as moedas na cama só pra tomar uma cerveja. Aquele cara era bem legal, ainda que estivesse sempre se metendo em encrenca. Eu sinto falta daquele cara!

Mas não dá pra voltar atrás. Não dava ontem, nem vai dar amanhã. E eu nem ao menos fiz um funeral para aquele cara legal! Tenho esperanças de que ele volte, de alguma forma. Tenho esperanças de que eu e ele nos encontremos em uma pessoa só. Já pensou o quão louco seria? Pois eu garanto: Aquele cara trocaria de vida comigo, num piscar de olhos. Era um cara bem legal e bastante tonto. As moedas que ele enfiava nos bolsos enquanto saia pelas ruas eram o verdadeiro tesouro. Os olhares das garotas. Os bares que sempre fechavam demais. Tudo aquilo era um tesouro.

O que aconteceu com aquele cara?

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