Da fuga dos escravos (que continuam sendo escravos)

Me pego pensando na liberdade que almejo, na liberdade que eu já edifiquei em um passado tão distante que parece-se até com outra vida. Esbarro em minhas próprias correntes, que cercam o meu corpo e sussurram em meu ouvido, dizendo que eu mesmo as coloquei ali. Preocupação, angústia, sofrimento. Aquelas preocupações com o mundo que tiram a nossa paz, sendo que elas nem sempre são sobre nós mesmos. Nada real, só pensamentos envenenados que me impedem de ser eu mesmo.

Quero ser livre, mas quero ser livre através da fuga. Nem percebo, diante do interminável rio de cerveja, que um escravo que foge de suas correntes continua sendo um escravo. O escravo só pode ser livre se ele arrebentar todas as suas correntes, mas eles só pode as destruir quando encontra a chave do cadeado que a prende nelas.

Sequer posso vê-las, como poderia arrebentá-las? Tudo que eu posso fazer é aquilo que fiz durante toda a minha vida: Continuar procurando pela chave, para que as correntes possam ir e um dia voltar… Assim como a nossa sensação de liberdade, que vai e volta em um pêndulo incansável.

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