“Hoje eu não falei com ninguém”: o século XXI e a angústia da solidão

Hoje eu não falei com ninguém. Eu saí pela rua e contei as pessoas aos milhares. “Bom dia”, “um café preto e sem açúcar, por favor” e “com licença” foram algumas das palavras que saíram da minha boca. Para quem eu disse essas palavras? Eu sequer me lembro dos rostos. Vou até a sacada e olho para baixo. As pessoas são incontáveis. Elas estão conversando? Ou apenas dando seus “bons dias”?

Fiquei tentando me lembrar da última vez em que realmente conversei com alguém, em que deixamos a conversa fluir e nossas mentes flutuarem sobre diversos assuntos. Tinha sido ontem, quando saí com um amigo para beber cerveja. E antes dessa vez? Quando eu realmente parei para conversar com alguém? Eu sequer consigo me lembrar da última vez em que “bati papo” com um estranho por cinco ou dez minutos.

Hoje eu não falei com ninguém, mesmo que palavras tenham saído da minha boca. Algumas pessoas falaram comigo, aquelas mesmas palavras protocolares de sempre. Hoje eu não conversei com ninguém. Quem sabe amanhã? Um dia? Eu realmente sinto falta de conversar com as pessoas, mas não há nada de novo que precise ser dito. Mesmo com o silêncio agoniante da vida, não falei com ninguém. Havia uma pequena bactéria no meu estômago, que se contorcia e me fazia pensar a respeito . Eu também não falei com ela.

 

ComentAnderson

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