O encontro da Gasolina com o Fogo – Parte I

o encontro da gasolina com o fogo - parte 1

Sofia e Michael estavam em um relacionamento há cerca de três anos e nunca tinham feito sexo. Toda vez que ele tentava iniciar algo, ela batia o pé e de prontidão ia correndo até o banheiro. Voltava alguns minutos depois com a cara lavada, sorrindo para ele. Então beijava-o no rosto e deitava-se ao seu lado segurando sua mão.

Michael sempre pensou que deveria haver algum bom motivo para que tudo aquilo acontecesse. Era um homem fiel e mesmo durante aqueles três anos nunca havia se deitado com outra mulher, embora admitisse para si mesmo que já tinha pensado na possibilidade de fazer aquilo algumas vezes. De fato, só não o fizer porque não conseguiria olhar para Sofia nos olhos novamente.

Sofia era provavelmente a mulher mais inteligente que tinha conhecido na vida e ela sabia muito bem como se esquivar de suas perguntas. Ele já tinha tentando iniciar aquela conversa por um longo período de tempo. Quando chegava perto de obter uma resposta ela sempre esbanjava um “Mas eu ainda sou virgem” ou “Somente depois do casamento” com um riso sarcástico. Ela era durona e ele concluiu que algo traumático tinha se passado na sua vida para que ela se tornasse assim.

Três anos depois ele a levou para jantar. Tiveram uma noite romântica e ela prometeu que eles “tentariam” quando chegassem em casa. Era uma mulher bonita, com profundos olhos verdes e cabelos castanhos que se espalhavam por seus ombros. Tinha a pele branca e um porte extremamente desejável. Michael era um homem magro e alto e fumava mais do que deveria. Sabia da sorte que tinha em ter conseguido uma mulher daquelas.

Nunca é dar ênfase demais: três anos e nenhuma ação. Três anos pensando que podia estar apaixonado por uma lésbica ou por alguma criatura assexuada. Três anos nos quais ele nunca havia sequer a visto nua, exceto quando espiava-a pela fechadura do banheiro. Repito: três anos é tempo demais.

Quando terminaram de jantar Michael estava apressado em leva-la para casa, despi-la e compensar todos aqueles “anos perdidos”. Enquanto ele cuidava da conta ela foi ao banheiro e ele pensou: “Ela não vai voltar. Ela vai simplesmente fugir por alguma janela minúscula e eu passarei nosso aniversário de três anos comendo pizza fria, embriagando-me de vinho barato e assistindo algum reality show de péssima qualidade que estiver passando na TV”. Para a sua surpresa, ela voltou dois minutos depois com a maquiagem retocada e um longo sorriso em sua face. Não parecia ter chorado, não parecia estar ansiosa e não parecia nem ao menos incomodada pelo fato de ele ter passado as últimas horas devorando-a com os olhos.

Apressados como se tivessem acabado de se conhecer, ambos correram até o carro. Ela tocava-o enquanto ele dirigia e ele realmente acreditou: “Aquela era a noite. Finalmente!”.

Chegaram em casa e ele a jogou na cama. Então ela o disse:

-Eu provavelmente vou resistir um pouquinho. Faça o que tiver que fazer!

Quantos segredos aquela mulher guardava em seu coração? Como diabos ela nunca parava de o surpreender? Primeiro ele tirou sua roupa e analisou-a enquanto ela deitava na cama, ainda com os calçados no pé. Sabia por onde devia começar: tirou-lhe os calçados delicadamente e deu beijinhos em seus pés. Ela soltou um grunhido que ele interpretou como um gemido. Esperara três anos por aquele gemido e tudo em que conseguia pensar era: “Finalmente, finalmente, finalmente…”.

Em seguida, tirou-lhe as joias e levantou seu vestido, sentindo pela primeira vez o calor que vivia entre suas pernas. Ela estava ensopada. Tinha medo que não estivesse, mas os mesmos três anos que tinham se passado para Michael tinham se passado para Sofia. Pensara que ela o traía, pois costumava desaparecer entre as 18h e 19h todos os dias sem lhe dar nenhuma satisfação. Agora, sabia que o que quer que ela estivesse fazendo, também não tinha feito sexo por um longo período de tempo.

Colocou os dedos dentro dela e passou a massageá-la. Os “gemidos” cessaram e ele beijou-a na boca. Ela mantinha os olhos abertos o tempo todo. Ele sussurrou:

-Confie em mim. Feche os olhos.

Obedientemente, ela o fez. Ele então arrancou o vestido de seda e o jogou no chão, fazendo com que ela emitisse um leve gritinho. Deslizou por seu corpo, beijando-a na barriga até chegar ao seu centro. Deu uma boa olhada no que estava ali: nenhuma deformidade, nenhuma anomalia. Não entendeu o motivo pelo qual ela esperara três anos, mas estava bem contente que a espera tivesse acabado.

Enquanto seus lábios dançavam com os grandes lábios dela, ela sutilmente pedia para que ele parasse. “Pare, pare, pare” – ela dizia, mas ele não parava. Ela havia dito que provavelmente iria hesitar, não havia? Ele começou a tocá-la com mais ferocidade, como um animal que estivesse sem comer por três anos e finalmente tivesse conseguido sua presa.

Subiu de volta a ela e beijou-a forçadamente na boca.

-Pare! – ela disse.

-Nunca! – ele respondeu, enquanto posicionava-se para possuí-la.

Quando finalmente a penetrou ela começou a gritar para que ele parasse, praticamente implorando. Ela estava encharcada e sabia disso. Ela realmente parecia querer aquilo. Seria algum tipo de fantasia ou…?

O raciocínio de Michael foi interrompido com uma pancada na cabeça. Se viu jogado próximo ao vestido dela e ao olhar para a cama viu que ela empunhava o abajur como se fosse uma arma. Passou a mão em sua testa e percebeu que sangrava. Que merda tinha sido aquela?

Imediatamente ela colocou o abajur de lado, vestiu a primeira roupa que encontrou e correu em socorro a ele.

-Que porra foi essa? – ele disse, apavorado.

-Bem, precisamos conversar… – ela disse.

Agora era ela quem o penetrava com seus profundos olhos verdes. Ali vivia a ira, o desconhecido. Algo dentro de Michael o dizia que o mistério acabaria hoje.

-Tudo bem… – ele disse, levantando-se e ainda cambaleando por causa da pancada na cabeça – Me conte tudo.

-Contarei! – ela disse, sem parar de olhá-lo nos olhos. Só parecia se sentir segura quando ele estava apavorado – Mas é melhor você fazer um café. Vai ser uma longa noite.

Mal sabia Michael que ainda naquela noite ele ouviria uma das histórias mais horríveis que alguém já o tivesse contado.

“O encontro da Gasolina com o Fogo” é uma série literária produzida especialmente para o blog. Ela não é recomendada para menores de 18 anos ou para pessoas sensíveis em face do teor das próximas publicações. Saiba mais sobre essa série clicando aqui.

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