O encontro da Gasolina com o Fogo – Parte V

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Obstinado em descobrir quem era aquele homem e em cumprir sua promessa, o Sr. Morgan chegou em casa e pegou a sua bíblia. Leu alguns versículos do apocalipse e depois pensou em que motivo teria aquele homem para mexer com ele. Sr. Morgan tinha uma conduta que era publicamente regida com excelência. Jamais dera motivos para que um estranho visse nele um inimigo. Presumiu que era algum tipo de louco.

Sentou-se em frente ao telefone e aguardou uma ligação de Jane, desistindo duas horas depois. Pensou sobre Michael: ele deveria ter roubado as ferramentas bem diante de seus olhos e colocado em sua maleta de alguma forma… Mas a maleta de Daniel Morgan ficava escondida embaixo do balcão… Como ele poderia… ?

Foi somente então que Daniel Morgan constatou que aquele homem realmente representava uma ameaça de algum tipo. Ele deveria ter sido responsável pelo “sumiço” de Jane e Mimi e deveria ter invadido a sua casa enquanto ele estava no banho ou depois que ele tivesse ido dormir. Teria que ser bastante silencioso para colocar as ferramentas em sua maleta sem que ele percebesse e bastante cuidadoso com os materiais: as chaves de fenda e alicates tinham a base de borracha e eram feitas de alumínio, sendo que seu peso tivera ficado imperceptível dentro dela. O medidor não pesava nada.

Aquele homem que Daniel Morgan nunca tinha visto na vida lhe havia tirado sua família e seu emprego em 24 horas. Só havia uma explicação: ele queria manter o Sr. Morgan dentro de casa e ataca-lo. Qual seria o motivo? Extorsão? Como poderia saber aquele homem que ele tinha um valor bastante considerável no banco? Era um criminoso profissional? Um ladrão? Representava ele uma ameaça real para a vida do Sr. Morgan?

O Sr. Morgan foi até o armário para pegar sua .38, mas percebeu que não estava lá. Quem teria levado sua arma? Jane era a única que sabia que ele tinha uma e onde poderia encontrá-la. Então o Sr. Morgan acreditou ter resolvido o mistério: em sua mente, acreditou que aquele homem era amante de Jane e que juntos planejavam mata-lo para ficar com sua herança. Era a única resposta. Que outro motivo alguém teria para se meter com ele? Se soubessem do que ele era capaz…

A pistola .38 não era o único recurso do Sr. Morgan. Se estavam atrás dele, ele estaria preparado. Foi até a garagem e apanhou um machado de ponta afiada e um martelo de aço. Sentou-se em sua poltrona depois de fechar todas as cortinas. Deixou a porta destrancada, pois Jane tinha a chave. Agora, ele apenas aguardava.

O telefone do Sr. Morgan tocou e ele de prontidão atendeu, com uma calma inimaginável:

-Papai? – dizia a voz.

-Cecília? – perguntou Sr. Morgan.

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, o telefone se desligou. Cecília tinha fugido de casa há um bom tempo e nunca retornara. Daniel Morgan não sentia falta da filha, pelo contrário: para ele era uma garota ingrata e impura… Mas aquela ligação, naquele momento… Teria a filha ingrata se juntado ao homem estranho e a Jane? Daniel Morgan não sabia se os três agiam juntos, mas presumiu que sim. E se estavam mexendo com ele, ele faria questão de vê-los pagar. Ninguém mexeria no seu dinheiro.

Tentou retornar a ligação, mas o telefone estava desligado. Em uma rápida pesquisa na internet conseguiu identificar o nome do proprietário daquele aparelho: Michael Piozzi. Provavelmente, aquele era o homem que tinha comprado a serra elétrica e que planejava uma ofensiva contra ele. Ainda na internet, conseguiu um endereço e soltou um sorriso.

Teria Cecília tentado avisá-lo sobre o golpe dos dois e sentiu um repentino ataque de culpa? Qualquer que tivesse sido o motivo, ela pagaria juntamente com eles. Daniel Morgan foi rapidamente até a garagem e dirigiu até o endereço que tinha conseguido. Não havia nenhum tronco no jardim da frente e ele percebeu então que o “tronco irritante” era ele.

Levando uma faca de caça por baixo da roupa bateu a porta da casa de Michael por três vezes: Toc, toc, toc!

Ouviu a voz do homem de lá de dentro dizer:

-Amor? Pode entrar… Está aberta! – disse Michael. O Sr. Morgan reconheceu a irritante voz do homem que procurava.

Quanta sorte poderia ter um homem? Daniel Morgan olhou para os céus e agradeceu a Deus. Agora, ao invés de esperar passivamente para que o homem viesse atrás dele tinha partido para a prestação de contas.

Entrou e deu quatro passos para dentro, deparando-se com Michael.

-Tudo bem… Você e aquela puta estão em maus lençóis! – disse o Sr. Morgan.

Michael sorriu.

E antes que Daniel Morgan tivesse sua resposta ou que pudesse sacar sua faca de caça, sentiu uma pancada na cabeça e caiu desacordado no chão.

Ao lado do corpo caído do Sr. Morgan estava Sofia, empunhando o abajur. Pela primeira vez, Michael observou Sofia respirar aliviada. Fez o mesmo.

-Bem… – disse Sofia – Vamos lá. Temos muito o que fazer.

Calçou os calçados de salto alto enquanto Michael carregava o corpo do Sr. Morgan desacordado.

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